JOÃO PAULO MARIANO
redacao@grupojbr.com
Com planos claros para 2018, o senador Cristovam Buarque (PPS) não deseja retornar ao Palácio do Buriti como chefe do executivo local pela segunda vez. Para ele, o candidato ideal para governador seria alguém que saia de uma coligação forte e que nunca tenha tentado se eleger para o cargo. Cristovam até deseja disputar, mas, dessa vez, é para a corrida presidencial, caminho que percorreu em 2006, mas perdeu para o segundo mandato de Lula. “Pretendo, desejo e acho que estou preparado para concorrer a presidente, sobretudo quando comparo aos outros candidatos que temos”.
A possibilidade de ser o candidato do PPS ao governo de Brasília surgiu nas últimas semanas e, segundo Cristovam, existe até uma pressão do partido e de aliados para que ele aceite a proposta, que já foi citada até pelo presidente do partido, o deputado federal Roberto Freire. “Eu acho que simplificaria muito se eu aceitasse. Mas para ser candidato a um cargo como governador, você tem que ter disposição de quem vai casar. Eu já fui governador. Me passa a ideia de voltar com a mesma noiva. Eu acho que já dei minha contribuição”, desabafa.
Buarque salienta que o ideal é que o candidato “não seja Roriz, Arruda, Paulo Octávio, Agnelo, até mesmo o próprio Rodrigo”. Brasília precisaria de um nome novo. Para as eleições do ano que vem, o papel dele na política brasiliense seria de coordenar um grupo que tenha um bom candidato e que fosse formado por pessoas “dos vermelhos e dos azuis” e que queiram trazer uma nova cor.
Veterano no mundo política de Brasília, Cristovam conhece bem os desafios que esperam o futuro candidato tanto durante o ano de 2018, quanto depois de assumir. Ele mesmo utilizou a faixa de governador de 1995 a 1998, ainda quanto era do PT. Perdeu para ex-governador Joaquim Roriz após tentar a reeleição.
Nos últimos meses diversos nomes e possibilidades de alianças foram ventiladas envolvendo o nome de Cristovam e o PPS. Haveria a possibilidade do partido se unir ao PDT ou ao PR. Algumas conversas também envolveriam o PRB. Mas, até agora, nada foi acertado.
O senador admite que tem conversado muito com Joe Valle (PDT), atual presidente da Câmara Legislativa do DF, com Jofran Frejat (PR), que foi candidato a governador em 2014, após saída de José roberto Arruda do pleito e com Wanderley Tavares, presidente regional do PRB. ainda existem outros políticos que ele gostaria de estivessem mais perto do PPS e que poderiam ser futuros candidatos como Chico Leite (Rede), Izalci Lucas (PSDB), Alírio Neto (PTB). Até um antigo antagonista foi lembrado. Valmir Campelo, que entrou no PPS no primeiro semestre deste ano, poderia ser um nome importante para o DF.
Caminhada já começou
Com a intenção de se tornar presidente, Cristovam Buarque teve a autorização do partido para caminhar pelo Brasil e angariar o apoio necessário para a corrida presidencial. Nos planos iniciais, estavam a obtenção de uma licença, onde o suplente assumiria, porém Wilmar Lacerda (PT) se viu envolvido em confusões e pediu afastamento. Assim, o senador vai utilizar os dias que puder para fazer pequenas excursões nacionais, como as que já fez em Belém, São Paulo, e ainda fará em Vitória e Recife, em janeiro de 2018.
Em 2006, na primeira disputa como presidenciável, Cristovam, à época no PDT, ficou em quarto lugar com apenas 2,64% dos votos válidos. A analise é que agora o cenário é bem diferente pois, dessa vez, não contaria com Lula no auge, nem Geraldo Alkmin (PSDB) em um bom momento no partido e surfando na lembrança do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e muito menos Heloísa Helena (Rede) que contava com a força da esquerda e com “o charme dela”.
“Acho que eu tenho a proposta. Já apresentei uma proposta em 2006. Chamava-se ‘Como fazer’ e nele eu coloco em 46 capítulos os problemas do Brasil. Tenho um ‘Como fazer: versão 2018. É preciso trazer coesão em um pais tão dividido e trazer rumo a uma nação tão paralisada”, ressalta.
Ao ser perguntado se esse seria o momento certo para uma nova tentativa, o senador é enfático: “Não é o meu momento. É do Brasil”. Cristovam admite que aos 73 anos, de vez em quando, bate uma vontade de deixar os outros tomarem de conta até porque tem uma vida acadêmica. Mas, ao mesmo tempo, ele percebe que o tempo vai diminuindo. “De mim, vão escrever no túmulo: este tentou”.