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CPI ouve advogada que produziu dossiê com denúncias sobre a Prevent Senior

Bruna Morato compilou denúncias de médicos e produziu o dossiê, que já está em mãos da CPI. Prevent Senior é acusada de ocultar mortes para exaltar medicamentos sem eficácia

Por Willian Matos 28/09/2021 7h38
CPI aguarda VTCLog Foto: Pedro França/Agência Senado

A CPI da Pandemia no Senado ouve nesta terça-feira (28) a advogada Bruna Mendes Morato. Ela ajudou médicos da operadora de planos de saúde Prevent Senior a produzir um dossiê com denúncias sobre a empresa. A Prevent Senior é acusada de, entre outras coisas, ocultar óbitos por covid-19 para promover medicamentos ineficazes contra a doença.

Bruna Morato se colocou à disposição da CPI para explicar o caso. Segundo o dossiê cujo qual ela ajudou a elaborar, a Prevent Senior ocultou mortes de pacientes que participaram de um estudo realizado para testar a eficácia da hidroxicloroquina associada à azitromicina contra a covid. No estudo, constam os nomes de todos os participantes. Nove deles morreram, mas a Prevent menciona apenas duas mortes.

A pesquisa começou a ser feita no dia 25 de março de 2020. Em mensagens, o diretor da Prevent Fernando Oikawa orienta os cobaias do estudo a não avisar os pacientes e familiares sobre a medicação. Dos nove pacientes que morreram, seis estavam no grupo que tomou hidroxicloroquina e azitromicina; dois não tomaram os remédios; e o último não se sabe.

Os médicos que trabalham na Prevent Senior denunciam ainda no dossiê que foram coagidos a receitar os medicamentos sem eficácia, distribuir o “kit Covid (conjunto de remédios como hidroxicloroquina e azitromicina)” e prescrever as medicações sem autorizações das famílias. Os profissionais dizem também que foram obrigados a trabalhar e atender pacientes mesmo estando infectados com o coronavírus.

A tal pesquisa para testar a eficácia da hidroxicloroquina associada à azitromicina sequer obteve autorização da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). O estudo foi apoiado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e é até hoje citado por defensores do “tratamento precoce”. Em 18 de abril, Bolsonaro usou o Twitter para citar e promover a pesquisa. Bolsonaro disse que cinco pessoas que não tomaram cloroquina vieram a óbito, e que quem tomou o medicamento sobreviveu à covid.

Outro lado

O diretor-executivo da Prevent Senior Pedro Benedito Batista Júnior, compareceu à CPI e disse que o dossiê foi feito com base em dados “manipulados” e “adulterados” de uma planilha interna. Júnior, porém, confirmou que houve a orientação para modificar a Classificação Internacional de Doenças (CID) dos pacientes que deram entrada com covid-19 após duas ou três semanas de internação.

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