Menu
Política & Poder

Covid: Vídeo mostra ‘gabinete paralelo’ no Planalto

A existência do gabinete é uma das investigações da CPI, que busca saber se o aconselhamento recebido poderia ter prejudicado o combate à pandemia

Geovanna Bispo

04/06/2021 17h51

Foto: Agência Brasil

Vídeo publicado no Facebook em setembro de 2020 mostra uma possível reunião do ‘gabinete paralelo’ de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro sobre a pandemia, reforçando sua existência. A reunião no Palácio do Planalto e contava com a presença da recém interrogada da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), Nise Yamaguchi, o deputado Osmar Terra (MDB- RS), o virologista Paulo Zanoto e outros profissionais da saúde.

A existência do gabinete é um dos principais pontos de investigação da CPI, que busca saber se o aconselhamento recebido por Bolsonaro poderia ter prejudicado o combate à pandemia no Brasil.

Durante o vídeo, que foi publicado nesta sexta-feira (04) pelo site Metrópoles, é possível ouvir opiniões contrárias às vacinas e favoráveis à hidroxicloroquina, fármaco que não tem eficácia comprovada contra a covid.

Em certo momento, o virologista Zanoto propõe a criação de um “shadow cabinet” (gabinete das sombras, em tradução literal) para aconselhamentos sobre a pandemia. Antes disso, o médico ainda apresentou opiniões a Bolsonaro, duvidando das vacinas contra a covid.

“E uma das coisas importantes que tenho para falar é o seguinte: no contexto da vacina, a gente tem que tomar um extremo cuidado. O Brasil tem uma diversidade genética assombrosa, que faz a população brasileira, provavelmente, uma das grandes mecas no desenvolvimento de vacinas. A gente tem que tomar um cuidado enorme com isso. Com todo respeito, eu acho que a gente tem que ter vacina — ou talvez não — porque o grande problema do coronavírus é que eles têm, intrinsicamente, problemas no desenvolvimento vacinal”, afirmou Zanoto.

Após a fala, Bolsonaro comentou que havia vetado um dispositivo aprovado pelo Congresso que determinava a autorização dos imunizantes, desde que fossem liberadas pelas agências de controle de outros países, como Estados Unidos.

“O projeto foi aprovado na Câmara, e eu vetei um dispositivo. Resumindo: o que foi vetado e a Câmara derrubou o veto depois? Determinava ali: EUA, Japão União Europeia e China. O que chegasse aqui para combater o coronavírus, a Anvisa tinha 72 horas para liberar. Se não liberasse, haveria liberação tácita. Eu perguntei: até a vacina? Até a vacina”, afirmou Bolsonaro.

“Então, a vacina, mesmo tendo aprovação científica lá fora, tem umas etapas para serem cumpridas aqui. A gente não pode injetar qualquer coisa nas pessoas e muito menos obrigar. Eu falei outro dia: ninguém vai ser obrigado a tomar a vacina, e o mundo caiu na minha cabeça”, completou o presidente.

Yamaguchi

Em depoimento na última terça-feira (31), a médica Nise Yamaguchi negou a Comissão Parlamentar de Inquérito integrar um gabinete paralelo de aconselhamento e alegou desconhecer sua existência.

No vídeo da reunião, ela diz a Osmar Terra: “Uma honra trabalhar com o senhor nesse período.”

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado