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O que começou como um embate regional pela disputa ao Senado Federal na Paraíba ganhou contornos de crise institucional no coração da República. Em entrevista concedida ao programa Frente a Frente, da TV Arapuan, em João Pessoa, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), subiu o tom e fez graves acusações contra o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), envolvendo diretamente o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo.
A faísca do confronto reside na corrida eleitoral para o Senado. De um lado, Veneziano busca a reeleição; do outro, o ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), pai de Hugo Motta, disputa a vaga.
No entanto, o tom do discurso do presidente da Câmara ultrapassou as costumeiras trocas de farpas locais ao atingir a liderança do principal órgão de controle externo do país.
Durante a entrevista na capital paraibana, Hugo Motta afirmou que o senador emedebista utiliza a influência do irmão, Vital do Rêgo, atual presidente do TCU, para “chantagear” e “coagir” prefeitos do estado em troca de apoio político.
A dimensão nacional do embate
A declaração ganha peso crítico ao partir do terceiro nome na linha sucessória da Presidência da República contra o chefe do órgão responsável por fiscalizar as contas de todos os gestores públicos do país. No ecossistema político de Brasília, o TCU detém o poder de aprovar ou reprovar contas, aplicar sanções e travar repasses de recursos federais aos municípios.
Ao sugerir que prefeitos estariam sendo constrangidos pelo temor de fiscalizações do tribunal, a acusação coloca sob suspeição a imparcialidade do órgão de controle, gerando forte ruído na Praça dos Três Poderes e chamando a atenção dos bastidores do Judiciário e do Congresso Nacional.
Tensão nas urnas
No plano local, Motta também criticou o histórico político de Veneziano em Campina Grande e acusou o adversário de seu pai de se apoiar unicamente no prestígio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar a reeleição. Enquanto as declarações eram transmitidas pela televisão, Nabor Wanderley e Veneziano também trocavam acusações diretas durante um debate promovido por outro veículo local, a TV Master.
O desfecho dessa disputa, que cruzou as divisas paraibanas e tensionou as instituições federais, será definido pelo eleitorado nas urnas.