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Política & Poder

Ciro Gomes confirma candidatura ao Governo do Ceará, chama rivais de frouxos e elogia bolsonaristas

Com a candidatura no Ceará, Ciro busca reconstruir capital político a partir da sua base eleitoral

Redação Jornal de Brasília

16/05/2026 16h53

Foto: Divulgação

SOFIA HERRERO E JOÃO PEDRO PITOMBO
FORTALEZA, CE, E SALVADOR, BA (FOLHAPRESS)

O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) lançou sua pré-candidatura ao governo do Ceará neste sábado (16), chamando seus adversários de frouxos e endurecendo o discurso sobre segurança pública, com promessas de combater facções criminosas no estado.

“Hoje o povo do Ceará vive falando baixo, vive capiongo [triste] olhando para o lado, com medo, aterrorizado, humilhado pelas facções criminosas”, afirmou em ato no bairro Conjunto Ceará, periferia de Fortaleza.

Sem fazer referência ao governador Elmano de Freitas (PT), disse que existe uma “omissão quase absoluta” das autoridades do estado no enfrentamento ao crime. “O Ceará está passando muito mal. Já se disse que o fraco líder faz fraca a forte gente. É exatamente do que se trata.”

O evento de lançamento da pré-candidatura contou com a presença de aliados como o deputado federal bolsonarista André Fernandes (PL) e do ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil), antes adversários de Ciro.

No ato, o tucano confirmou o ex-prefeito Roberto Cláudio (União Brasil) como candidato a vice e elogiou o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil) e o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), potenciais candidatos ao Senado.

Ciro prometeu combater facções criminosas e chegou a se exasperar ao avistar uma pessoa no público fazendo um suposto gesto associado a uma facção com as mãos. “Meu irmão, você está querendo ser preso? Vai começar aqui. O cara está fazendo o símbolo do Comando Vermelho ali. Prende ele.”

Na sequência, o eleitor explicou que era um mal-entendido e que tinha feito apenas o “C de Ciro” com as mãos. O ex-ministro emendou: “Desculpa aí, é que eu sou vigilante. Comando Vermelho aqui vai para a cadeia”, afirmou.

Com a candidatura no Ceará, Ciro busca reconstruir capital político a partir da sua base eleitoral. Para se reposicionar no jogo político, ele tenta amarrar uma unidade entre os partidos da oposição, incluindo até mesmo o PL de Jair Bolsonaro.

Ele chegou a afirmar que tem diferenças com os novos aliados e disse que a união foi firmada em torno da defesa do Ceará.

“Creio não precisar me reapresentar para ninguém. Será de muita má-fé quem quiser me reapresentar como bolsonarista ou lulista”, disse em entrevista coletiva à imprensa.

Entre o público, apoiadores usavam camisetas nas cores verde, amarelo e azul e, nos arredores do colégio onde o evento aconteceu, bandeiras e placas exibiam o rosto de Flávio Bolsonaro (PL).

A aliança de Ciro com setores do bolsonarismo vinha sendo maturada desde 2024, quando seus principais aliados apoiaram o deputado federal bolsonarista André Fernandes (PL) no segundo turno em Fortaleza. A aproximação foi intensificada a partir do ano passado.

Ao mesmo tempo em que passou a confraternizar com adversários do passado, Ciro ampliou as divergências políticas com antigos aliados, como Camilo Santana e com o próprio irmão, o senador Cid Gomes (PSB), com quem rompeu relações desde 2022.

Neste sábado, Ciro voltou a falar sobre a relação conflituosa com o irmão e disse considerar improvável receber endosso político de Cid.

A possibilidade de apoio do PL à candidatura de Ciro Gomes criou cisões no partido. Flávio Bolsonaro chegou a declarar apoio a ele, mas recuou e disse que ainda não havia uma definição.

Em dezembro de 2025, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro foi a Fortaleza para o lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao Governo do Ceará e criticou o apoio do deputado federal André Fernandes (PL-CE), presidente do partido no estado, a Ciro Gomes.

Ela afirmou que a aliança com o político era precipitada e defendeu que a direita se unisse em torno do nome de Girão. “Não dá para fazer aliança com um homem que é contra o maior líder da direita”, afirmou Michelle no ato, em referência ao marido.

Ciro Gomes confirmou a candidatura ao Governo do Ceará semanas após ter sido convidado por seu partido para disputar a Presidência da República. Em discurso, reafirmou ser candidato ao governo, mas disse que voltar ao cargo que já ocupou entre 1991 e 1994 não estava nos seus planos.

“Eu virei candidato, mas não era meu plano nem de longe porque eu já estou na idade de me aquietar, especiamente depois do que eu passei de humilhação em 2022”, disse o ex-ministro, lembrando que foi derrotado naquela eleição até em Sobral, seu berço político.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada no final de abril apontou que Ciro venceria em uma disputa contra o governador Elmano de Freitas (PT), mas perderia em cenário contra Camilo Santana (PT), ex-ministro de Educação de Lula.

No segundo turno, Ciro batia Elmano por 46% a 35%. Já contra Camilo a vantagem se invertia, mas por margem mais apertada, com vitória do petista por 44% a 39%.

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