Depois de mais três horas de sessão conturbada da Câmara Legislativa, em que até a votação precisou ser repetida por conta de um envelope a mais que surgiu na urna de votação, o deputado Raad Massouh (PPL) teve seu mandato cassado por 18 votos a favor, três contra e duas abstenção. O agora ex-distrital era acusado de desviar recursos de R$ 100 mil direcionados a evento da Administração Regional de Sobradinho.
A sessão exclusiva para apreciação do processo de cassação contou com a presença dos 24 parlamentares, mas apenas 23 votaram, já que o próprio Raad preferiu se abster.
O inesperado
Após o fim da primeira rodada de votações a distrital Eliana Pedrosa (PPS), constatou que havia na urna um voto a mais. A surpresa tomou conta dos distritais. O deputado Chico Vigilante (PT) chegou a esbravejar: “Isso é uma canalhice! Quem fez isso deveria ser cassado junto”, protestou.
Para evitar que a votação fosse contestada, o presidente da Casa, Wasny de Roure (PT) mandou repetir a votação. “Essa foi uma atitude de imprudência, não acredito que houve maldade”, justificou o presidente que completou: “Não acredito que o incidente tenha manchado a votação, já que o processo foi preservado”.
Um a um dos deputados voltaram a cabine e repetiram a votação, concluída sem a presença de Raad, que acompanhado pela esposa e pelo presidente de seu partido Marco Antonio Campanella (PPL) saiu antes da proclamação do resultado.
Compromisso
A cassação de Raad foi comemorada de forma contida pelos deputados. “Estou satisfeito com o resultado e a sobriedade com que transcorreu a votação. Foi todo o êxito de um trabalho que desenvolvemos ao longo desses meses”, declarou o relator do processo na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, Joe Valle (PDT). Wasny declarou que a votação foi demonstração de compromisso dos parlamentares.
Saiba mais
Durante a sessão de Cassação de Raad, o presidente regional do PPL, Marco Anrtonio Campanella (foto), foi flagrado com anotações onde constavam os votos dos parlamentares.
Além de nomes de distritais do PT, havia o nome do governador Agnelo Queiroz, sugerindo um acordo com o Buriti. A divulgação em sites revoltou parlamentares, que pediram que a Casa investigue o diretor do DFTrans, que será ouvido hoje na Câmara Legislativa.
Cadeira já é disputada
1- Raad Massouh ainda nem esfriou a cadeira e a briga por sua vaga já começou. Ainda ontem o segundo suplente Tatu do Bem (DEM), com reduto eleitoral em Samambaia, protocolou pedido na Câmara Legislativa para que seja ele o ocupante do cargo.
2- O problema é que a primeira suplência durante as eleições de 2010 ficou com Paulo Roriz, que era do DEM, deve assumir de imediato o mandato, mas deixou o partido.
3 – Paulinho saiu do partido para se filiar ao PEN. Não deu certo e ele acabou sem partido, sendo recepcionado posteriormente no PP.
4 – O presidente local do DEM, Alberto Fraga, também protocolou pedido para que o partido fique com a vaga de Raad, como determina a Justiça Eleitoral.
5 – Funcionários do gabinete de Raad ainda não sabem até quando permanecerão ocupando o local, para que o novo parlamentar possa ocupá-lo.
Relator defende severidade
Antes da sessão, Raad Massouh afirmava que até aquele momento não sabia do que estava sendo acusado. Ao entrar em Plenário, o parlamentar seguiu direto para seu lugar e não foi cumprimentado por nenhum colega até a chegada de Olair Francisco (PT do B).
O primeiro a falar na tribuna foi o relator do caso, Joe Valle, que defendeu seu relatório — pela cassação — ressaltando que o trabalho foi isento e baseado em provas materiais, como documentos e gravações telefônicas. “Diante de tudo que foi exposto aos deputados a medida a ser tomada deve ser a mais severa”, concluiu o relator.
Sem processo
Em seguida, em seus 20 minutos para discursar, Raad afirmou que tinha a consciência tranquila e pediu que os distritais refletissem sobre o fato de não haver contra ele processo na Justiça.
As declarações foram rebatidas pelo corregedor da Casa, deputado Patrício (PT). Ele afirmou que corre contra Raad, em segredo de Justiça, processo com mais de 5 mil páginas e lembrou que o Conselho Especial do Tribunal de Justiça deu o sinal verde para cassação.
Raad contra-atacou, afirmando que estavam colocando em seu processo acusações além das que estavam em pauta. Emocionou-se e chegou a chorar.
Obedecendo a decisão do Tribunal de Justiça o voto dos parlamentares foi secreto, o que gerou protestos antes, durante e depois da votação, como do distrital Chico Leite (PT): “Quem se esconde atrás do voto secreto já assumiu a culpa”.