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Política & Poder

Câmara poderá barrar shopping à beira do Lago

Arquivo Geral

25/10/2013 9h01

A novela do terreno da QL 24, Lote B, do Lago Sul, teve escrito um novo capítulo, quando o presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), Inácio Magalhães deu parecer favorável à venda pela Companhia Imobiliária de Brasília  (a Terracap) do espaço às margens do Lago Paranoá. 

 

A decisão não agradou aos moradores da região, nem ao presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Legislativa, Robério Negreiros (PMDB), que formalizou emenda à Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos) para transformar a área em equipamento público de preservação ambiental, evitando que ali seja construído um centro comercial.

 

Sem obstáculos

 

De acordo com a decisão de Inácio Magalhães, o TCDF não vê obstáculos para que a venda seja realizada, no futuro – já que a Terracap, pressionada, retirou o lote da QL 24 da lista de terrenos a serem vendidos, ainda em abril.

 

O voto foi contrário ao parecer do relator do caso, conselheiro Renato Rainha, que pediu que, antes de realizar a licitação, a Terracap se realizasse estudos de impacto, o que iria contra o regimento da empresa, como observou a revisora, Anilcéia Machado.

 

Em sua decisão, o presidente observou que o lote precisará ter o valor revisto pela Terracap, já que o laudo anterior da companhia expirou.

 

O novo estudo deve elevar o preço do terreno para pelo menos R$ 160 milhões, como sugeriu o procurador-geral Demóstenes Albuquerque ao apresentar laudo levantado pelo Ministério Público de Contas (MPC), dificultando o negócio do governo.

 

A decisão do TCDF não agradou a Robério Negreiros, que enviou a  Magalhães cópia da emenda que apresentará à  Luos, em debate na Câmara Legislativa, que poderá ser votada ainda este ano.

 

De acordo com ela, quem comprar o espaço poderá acabar com o prejuízo na mão, pois não poderá investir na construção de espaço comercial, como  pretendido por um dos grupos interessados, que quer construir lá  um shopping.

 

Até comprador é lesado

 

“Na condição que esta venda vem sendo conduzida, o comprador vai sair lesado. Com a decisão do tribunal, o comprador que iria adquirir o lote por R$ 106 milhões, se quiser agora, vai ter pagar quase R$ 160 milhões. E não para por aí: depois da Luos aprovada, caso a minha emenda seja incluída, aquela área vai ser transformada em Equipamento Público, ou seja, pode virar um parque. Desta forma, o comprador não vai poder construir um comércio por ali. É um negócio arriscado”, alerta Robério Negreiros.

 

Após voto de Magalhães, Terracap revê

 

Em nota, a Terracap afirma que, após exame da matéria pelo presidente Inácio Magalhães, o Tribunal de Contas do Distrito Federal entendeu que a empresa seguiu seus preceitos estatutários e que havia tomado todas as medidas para a avaliação do terreno, pertinente à sua finalidade, que é a atividade imobiliária de interesse do Distrito Federal. Não existe, no momento, previsão para que o terreno seja novamente ofertado. Uma nova avaliação de preço será realizada, como de praxe, quando o mesmo for inserido em edital futuro.

 

O que está em jogo
 
O terreno localizado na QL 24, Lote B fica em uma área considerada de nascentes, às margens do Lago Paranoá.
 
De acordo com o Ministério Público de Contas, o valor inicial para arremate do terreno seria de R$ 160 milhões, mas a Terracap estaria disposta a cobrar apenas R$ 106 milhões. Desvalorização de 35%.
 
Em duas audiências, realizadas na Câmara Legislativa nos dias 9 de abril e 17 de outubro deste ano, representantes dos moradores do Lago pediram a intervenção da Casa para que o lote não fosse licitado.
 
O maior interessado em comprar o terreno seria um grupo de empreendedores, que construiria no local um centro comercial, como um shopping.
 
 
Tribunal diz que ainda não há autorização

 
A assessoria do Tribunal de Contas do Distrito Federal nega que o parecer do presidente Inácio Magalhães, que considera improcedente  a denúncia do Ministério Público de Contas e da Comissão de Meio Ambiente, da Câmara Legislativa, seja uma autorização para a venda do lote pela Terracap.
 
Não é o que diz o texto com a decisão de Inácio Magalhães, que afirma que “em consequência (da decisão), autoriza que a Terracap seja cientificada de que não se vislumbram, nesta oportunidade, óbices à inclusão do Lote B da QL 24 do Lago Sul em futuros editais para alienação de imóveis”.
 
A justificativa para o voto do presidente seria baseado no parecer da revisora do caso, que foi contrária ao relator e  alegou que o pedido do Ministério Público por um estudo anterior não estaria dentro das normas legais que regem a Terracap.
 
Quanto a novo laudo de preço, que determinaria o valor correto do terreno, só seria necessário quando o lote da QL 24 voltar à lista de terrenos a serem licitados, já que o TCDF foi informado que ele não está hoje formalmente  à venda.
 
Para uma nova licitação o terreno não terá que passar novamente pelo crivo do TCDF, a menos que haja novas denúncias. A fiscalização de uma possível licitação deverá ser acompanhada pelo Ministério Público de Contas. Já a emenda de Negreiros terá que esperar a Luos.

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