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Brasil só terá dinheiro de países ricos para ambiente após resultados, dizem embaixadores

França realizou uma videoconferência com os chefes das missões diplomáticas em Brasília de Alemanha, Reino Unido, Noruega, EUA e UE

Ricardo Della Coletta
Brasília, DF

O apoio financeiro de países ricos para que o Brasil preserve a Amazônia só será liberado após o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mostrar resultados efetivos no combate ao desmatamento. A mensagem foi transmitida ao novo chanceler, Carlos França, por um grupo embaixadores estrangeiros na última sexta-feira (9).

França realizou uma videoconferência com os chefes das missões diplomáticas em Brasília de Alemanha, Reino Unido, Noruega, EUA e União Europeia. A conversa fez parte dos preparativos brasileiros para a Cúpula do Clima, que o presidente americano, Joe Biden, realizará virtualmente na semana que vem.

A mensagem dos embaixadores foi clara: os recursos financeiros que o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) vem cobrando das nações desenvolvidas para a preservação do bioma só serão entregues caso o Brasil se mostre efetivamente comprometido com a redução da desmatamento e após resultados concretos no enfrentamento a ilícitos ambientais.

Salles vem afirmando que pode diminuir a devastação na Amazônia mediante colaboração financeira internacional.
França assumiu o Itamaraty no final de março, após a demissão de Ernesto Araújo. Em seu discurso de posse, em 6 de abril, França colocou o desenvolvimento sustentável como uma das prioridades da sua gestão. “Aqui, como em outras áreas, vemos diante de nós a oportunidade de manter o Brasil na vanguarda do desenvolvimento sustentável e limpo”, disse, na ocasião.

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O novo ministro decidiu priorizar o tema por causa da crise de imagem internacional sofrida pelo Brasil, causada por declarações de Bolsonaro, pelo aumento do desmatamento na Amazônia e por uma onda de incêndios no Pantanal.

De acordo com o Deter, sistema de monitoramento de desmate do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a redução da floresta mensal na Amazônia voltou a crescer em março e bateu o recorde para o mês.

Os dados apontam 367,61 km² de desmatamento. O recorde anterior pertencia a 2018, com 356,6 km² destruídos, seguido por 2020, com 326,49 km² derrubados. O ambiente se converteu, após a chegada de Biden à Casa Branca, no principal assunto da relação bilateral entre o Brasil e EUA.

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No Itamaraty, a reunião organizada por Biden é considerada momento-chave no relacionamento bilateral. Os americanos pretendem observar a participação do Brasil para decidir se existe de fato uma mudança de rumos no governo Bolsonaro.

O temor do governo brasileiro é que uma atuação de Bolsonaro julgada como frustrante pelos EUA abra as portas para o aumento da pressão diplomática e econômica contra o país.

França realizou a videoconferência com os embaixadores para medir a temperatura e colher informações para auxiliar na preparação do discurso de Bolsonaro na reunião. Ele chegou a perguntar aos diplomatas o que seus respectivos governos gostariam de ouvir no pronunciamento de Bolsonaro.

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De acordo com relatos feitos à reportagem, os chefes das missões diplomáticas ressaltaram que o Brasil tem um histórico de sucesso na redução do desmatamento na Amazônia, que passa pelo fortalecimento de agências ambientais e pelo combate à deflorestação ilegal.

Embora os embaixadores tenham terminado o encontro com uma impressão positiva sobre França -destacando que ele realizou a reunião para ouvir a opinião dos interlocutores–, eles permanecem preocupados com o alcance da sua influência sobre Bolsonaro.

Um interlocutor disse à reportagem que Bolsonaro precisa enviar uma mensagem de que toda a administração federal está envolvida no objetivo de reduzir o desmatamento, e não apenas um ministério. Ele lembra que as ações de enfrentamento ao desmatamento estão concentradas no Ministério do Meio Ambiente, cujo titular, Ricardo Salles, promove uma agenda de desregulamentação e afrouxamento de regras ambientais.

As informações são da Folhapress

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