Ana Karolline Rodrigues e Eric Zambon
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A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) vota, nesta quinta-feira (24), o projeto de lei que prevê a expansão do modelo do Instituto Hospital de Base a outras unidades de saúde do Distrito Federal, como UPAs e os hospitais Materno-Infantil de Taguatinga e de Santa Maria. Do lado de fora da Casa, manifestantes que não puderam entrar para acompanhar a votação criticam a proibição e o projeto do governador Ibaneis Rocha (MDB) “É um enorme desrespeito com nós que estamos aqui desde de manhã”, disse uma mulher entre a multidão de mais de mil pessoas.
Durante a votação do projeto, o público na área externa da CLDF reivindicava atenção do governador Ibaneis Rocha para com servidores públicos. Segundo considera a técnica em saúde bucal do Hospital de Santa Maria Ariane da Cunha, 41 anos, o projeto a ser votado nesta quinta “é apenas uma manobra para fazer desvios”. “Esse projeto é para deixar a população a ver navios, para deixar a população desassistida. Se privatizar fosse bom, o Rio de Janeiro não estaria como está”, disse.

Ariane da Cunha, técnica em saúde bucal do Hospital de Santa Maria. Foto: Jornal de Brasília
Dentre as reclamações do grupo estava o impedimento de participar da sessão, uma vez que apenas pessoas credenciadas puderam entrar na Câmara. “Um desrespeito, porque a casa é do povo, chegamos cedo e as portas estavam fechadas. Aí agora fomos avisados de que só ia entrar quem estivesse credenciado. Nós, servidores da Saúde, estamos nos sentindo traídos, massacrados desde o governo passado. Votamos no governador porque ele prometeu melhoria e não porque ele quer privatizar”, concluiu.
Para a servidora Solange Campelo de Castro, 48 anos, a situação que passam os manifestantes é um “desrespeito geral”. É uma situação horrível. Somos servidores da Saúde e não deixam a gente entrar”, reclamou. Segundo a técnica em enfermagem do Hospital de Santa Maria, os servidores públicos estão se sentindo traídos. “Tenho 20 anos de Secretaria de Saúde, isso aqui é um absurdo”, afirma.
Em concordância com as outras manifestantes, a enfermeira Cristina Dantas, 51 anos, considera que a votação em questão não deveria ser realizada. “Esse não foi o compromisso do governo com o servidor. A Saúde jamais deveria ser privatizada”, disse.
A sessão, que ocorre no auditório por conta da reforma no plenário, foi aberta pelo presidente da Câmara Legislativa do DF, Rafael Prudente (MDB), às 15h17. Até a publicação desta reportagem, a sessão que avalia alterações em projetos do Executivo sobre Saúde, Segurança e arrecadação ainda seguia em votação.