Política & Poder

Assessores da família Bolsonaro estavam por trás de páginas derrubadas pelo Facebook

Um deles, Tércio Tomaz, recebe salário de mais de R$ 13 mil e comandava três contas, sendo apenas uma delas pessoal. Dois assessores de Eduardo Bolsonaro também estavam por trás do esquema

Brazilian President Jair Bolsonaro (R) gestures next to his son, senator Flavio Bolsonaro, during the launch of his new party, the Alliance for Brazil, at a hotel in Brasilia on November 21, 2019. – Bolsonaro left the Social Liberal Party after a disagreement with the party president Luciano Bivar. (Photo by EVARISTO SA / AFP)

A investigação do Facebook, que acabou por derrubar páginas em redes sociais ligadas ao presidente Jair Bolsonaro e a políticos do PSL no início de julho, mostra alguns detalhes sobre quem cuidava destes perfis. A informação é do Fantástico, da TV Globo.

Por trás dessas páginas, estavam assessores ligados à família Bolsonaro, pagos com dinheiro público. Um deles é Tércio Tomaz, assessor especial do presidente Jair Bolsonaro. Com salário de mais de R$ 13 mil, Tomaz mantinha duas páginas chamadas Bolsonaro News.

Nestas páginas, o assessor disseminava informações falsas e distorcia falas de autoridades, como a do presidente da Organização Mundial de Saúde (OMS), por exemplo. Além destes perfis, Tomaz usava sua conta pessoal para o mesmo fim. Nesse caso, o assessor compartilhava mensagens de ódio — uma delas até com cunho racista.

Foto: Reprodução/TV Globo

Além de Tomaz, outros dois assessores ligados ao deputado federal Eduardo Bolsonaro também faziam parte do grupo que liderava as páginas. São eles: Eduardo Guimarães, que usou um computador da Câmara dos Deputados para criar a página “Bolsofeios”; o outro é Paulo Eduardo Lopes (Paulo Chuchu) que comandava seis páginas que se passavam por redações jornalísticas.

Um assessor da deputada estadual Alana Passos (PSL-RJ), identificado como Leonardo Rodrigues de Barros, mantinha pelo menos oito páginas falsas. A noiva dele, a assessora do deputado estadual Anderson Moraes (PSL-RJ), Vanessa Navarro, tinha ligação com mais sete perfis.

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As páginas derrubadas teriam sido fundamentais para a eleição de Bolsonaro nas eleições de 2018. A Polícia Federal receberá detalhes dessa investigação do Facebook.

Defesas

Até a última atualização desta reportagem, o presidente Jair Bolsonaro e os filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, do PSL, e o senador Flávio Bolsonaro não haviam se pronunciado. Tércio Tomaz também não se manifestou.

A deputada Alana Passos, do PSL do Rio, disse que “não responde por aquilo que servidores publicam em suas redes sociais pessoais” e que Leonardo pediu exoneração em abril.

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A defesa de Paulo Eduardo Lopes afirmou que ele “jamais administrou qualquer página de conteúdo jornalístico” e que “o Facebook se equivocou ao banir as páginas de Paulo Chuchu de suas plataformas”.

A defesa da assessora Vanessa Navarro classificou a exclusão da conta como “atentado à liberdade de expressão”. O deputado estadual Anderson Moraes, também do PSL do Rio, afirmou que a derrubada das páginas de Vanessa configura censura prévia.

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