Rudolfo Lago
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A antecipação da campanha presidencial trouxe como consequência a antecipação também das campanhas estaduais para governador em 2014. Como reação ao lançamento da candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff, também colocaram-se de forma mais clara na corrida eleitoral os postulantes do PSDB, senador Aécio Neves (MG); do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e a ex-senadora Marina Silva, que cria um novo partido, a Rede Sustentabilidade.
O deputado Fernando Gabeira (RJ) também foi lançado candidato pelo PV. A movimentação rumo ao Planalto precipitou também as disputas estaduais.
Desconfiados diante dos movimentos nacionais dos partidos, que podem desfazer ou criar novas alianças, candidatos a governador trataram de também marcar posição. O caso mais flagrante ocorre no Rio de Janeiro, onde o primeiro ato da campanha eleitoral de 2014 já ocorre.
Para marcar que é mesmo candidato a governador, e tornar essa situação irreversível, o senador Lindbergh Farias (PT) deu início ontem à sua versão fluminense da Caravana da Cidadania.
Lindbergh pretende imitar Lula, que, como candidato à Presidência contra Fernando Henrique Cardoso em 1994, percorreu antes o Brasil em campanha, visitando vários municípios. A primeira cidade a ser visitada por Lindbergh é Japeri, na Baixada Fluminense.
Irreversível
Além de imitar Lula, o que Lindbergh planeja com o início da sua Caravana da Cidadania é tornar a sua candidatura ao governo do Rio irreversível.
As visitas serão claramente atos de campanha, com a participação de militantes e dirigentes do PT. Postas na rua, elas tornarão muito mais difícil qualquer movimento de recuo. “Eu sou candidato. Minha candidatura está posta e está bem. Se o PMDB quiser ter o seu candidato, que dispute a eleição comigo”, desafia Lindbergh, em entrevista ao Jornal de Brasília.
Temer volta ao comando
No campo nacional, o PMDB planeja reeleger Michel Temer presidente na convenção que fará hoje. Com uma diferença: desde que se tornou vice, Temer estava licenciado do comando do partido. Agora, ele pretende exercer os dois postos simultaneamente, como forma de reforçar o seu papel.
Da mesma forma, os peemedebistas resolveram ser mais duros no Rio de Janeiro. O governador Sérgio Cabral fez questão de dizer que o PMDB não abriria mão de ter seu próprio candidato à sucessão em 2014. E o nome peemedebista é o vice-governador Luiz Pezão.
O presidente do PMDB do Rio de Janeiro, Jorge Picciani, foi além: em nota, exigiu que Lindbergh desistisse da sua candidatura para apoiar Pezão. Lindbergh bateu o pé, com o apoio da direção nacional do PT, formalizando o primeiro racha na aliança de Dilma nesta campanha antecipada.
Desconfiança
Da mesma forma, outros exemplos começam a surgir em outros estados. Experiente, o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) espanta-se. “Isso não é nada bom. A base esfacela-se. Todo mundo desconfia de todo mundo”, comenta. Segundo Valadares, os demais governadores do PSB não estão nada contentes com essa antecipação. “Os governadores dependem de ter uma boa relação com o Governo Federal. E temem que essa disputa eleitoral tão cedo atrapalhe”.