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Amilton foi recebido pelo Ministério da Saúde quatro horas depois do primeiro contato

O próprio reverendo foi quem determinou o horário do encontro. Senadores questionam rapidez com que o reverendo, que nunca havia vendido vacinas ao governo, foi recebido pelo Ministério

Por Willian Matos 03/08/2021 12h24
Foto: Pedro França/Agência Senado

O reverendo Amilton Gomes de Paula, dono da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), afirmou à CPI da Pandemia nesta terça-feira (3) que foi recebido pelo Ministério da Saúde, no dia 22 de março deste ano, cerca de quatro horas depois do primeiro contato feito com a pasta. A informação chamou a atenção dos senadores.

Antes, Amilton confessou que nem ele e nem a Senah nunca haviam negociado vacinas. Em seguida, o reverendo mostrou aos senadores que enviou e-mail à Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS) às 12h39 do dia 22 de março. Neste e-mail, Amilton pediu que fosse marcada uma reunião para apresentar ao Ministério o representante da Davati, Luiz Paulo Dominguetti, que faria oferta de 400 milhões de doses da AstraZeneca ao governo federal.

Ainda sobre o e-mail, foi Amilton quem escolheu o horário do encontro. Ele pediu que a reunião ocorresse às 16h30, e o Ministério da Saúde atendeu o pedido. Os senadores se atentaram ao pronto-atendimento oferecido a Amilton, que nunca havia vendido vacinas.

“Queria essa eficiência do serviço público para a Pfizer”, afirmou o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). “O que me espanta é que farmacêuticas do mundo todo que estão vendendo vacinas diretamente não tiveram esse tratamento”, prosseguiu. O relator Renan Calheiros (MDB-AL) reiterou os mais de 100 contatos feitos pela Pfizer ao governo federal que não foram respondidos.

Amilton reforçou que não possuía contato direto com ninguém do Ministério, e que as tratativas se deram apenas de maneira formal, por e-mail. O reverendo acredita que foi atendido rapidamente por conta da urgência de se comprar vacinas.






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