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Política & Poder

Ala do TSE vê exagero da PF sobre interferência estrangeira e tentativa de enfraquecer gestão Kassio

Magistrados entendem que esse tipo de ação por parte da PF pode abrir caminho para uma judicialização da eleição e levantar questionamentos indevidos sobre o resultado das urnas

Redação Jornal de Brasília

04/10/2026 17h52

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Ministro Kassio Nunes Marques. Foto: Rosinei Coutinho/STF

LUÍSA MARTINS
FOLHAPRESS


Uma ala de ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) avalia que a abertura de uma apuração preliminar sobre interferência estrangeira nas eleições de 2026 é um “exagero” da PF (Polícia Federal) e traduz uma tentativa de enfraquecer a gestão de Kassio Nunes Marques.

Três magistrados ouvidos pela Folha e dois auxiliares de Kassio e do ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, entendem que esse tipo de ação por parte da PF pode abrir caminho para uma judicialização da eleição e levantar questionamentos indevidos sobre o resultado das urnas.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou neste domingo (4), após ser questionado por jornalistas, que a corporação abriu um procedimento preliminar de investigação para analisar suspeitas de interferência e financiamento externo no país. O pedido partiu da AGU (Advocacia-Geral da União).

Rodrigues disse que ainda não há um inquérito policial formal aberto sobre isso. Segundo ele, a Diretoria de Inteligência da PF está na fase de examinar todas as informações recebidas a esse respeito para, depois, avaliar quais serão os próximos passos.

“Já é uma investigação em andamento, mas ainda não foi instaurada a portaria do inquérito policial. Há um procedimento prévio que fazemos que é natural em todos os processos”, disse o diretor-geral da PF em visita ao CICCN (Centro Integrado de Comando e Controle Nacional).

Aliados de Mendonça veem nesse episódio uma nova evidência dos desgastes observados entre o ministro e a PF na condução das investigações sobre o Banco Master, e que escalaram a ponto de o magistrado mandar afastar o diretor-geral. A decisão acabou revertida por decisão do ministro Flávio Dino.

Em pronunciamento neste sábado (3), Kassio disse que as eleições não estão “sob ameaça concreta, seja internacional ou do crime organizado”. Já em coletiva de imprensa por volta das 14h deste domingo, voltou a dizer que os relatórios não apontam “nenhum risco” de interferência estrangeira.

O entorno de Kassio interpretou as declarações como uma tentativa de neutralizar a iniciativa da PF.

Questionado pela Folha, o ministro preferiu não responder o que acontece com o resultado da eleição caso a investigação da polícia avance e as ameaças se comprovem verdadeiras.

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