O perário de montagem de dossiês para o Governo Federal enquanto era gerente de planejamento do fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), entre 2000 e 2007, o advogado Gerardo Xavier Santiago, de 50 anos, aposta na continuidade do esquema de espionagem petista. Dizendo-se frustrado com o que ele chama de “aparelhamento do Estado”, por parte do PT, o advogado diz que o método de investigação se alastrou por diversos setores do governo.
“Depois que se toma gosto, que se aprende a fazer… ninguém mais está seguro”, sentencia o ex-gerente, que confessou ter feito pelo menos quatro dossiês encomendados pelo que ele chama de núcleo bancário do partido. “O PT é uma federação de grupos. O serviço que eu prestava era para a um determinado grupo, que era liderado pelo Ricardo Berzoini, o Luiz Gushiken e o João Vaccari Neto, entre outros”.
Para o advogado – que hoje processa por assédio moral o Banco do Brasil na Justiça do Trabalho – o elo do grupo bancário com o fundo era feito pelo então presidente Sérgio Rosa, atual presidente do Conselho de Administração da Vale, cargo assumido enquanto presidente da Previ.
“Por isso, eu digo que este grupo não pode ser dado como descartado. O código de governança corporativa da Previ prevê rodízio da vaga de presidente do conselho com o presidente da Previ, que não é mais ele. Quem ele representa lá? O PT? A campanha da Dilma? É estranho isso. Esse é um sintoma de que este grupo está longe de ser considerado carta fora do baralho, é um grupo poderoso, muito ramificado”, diz.
Sobre os motivos que o levaram a revelar o esquema de espionagem, Santiago diz que começou a ficar “inquieto” ao perceber que “estava me tornando um funcionário de um determinado grupo político” e que isso se deu em 2005, durante a CPI dos Correios, quando a maioria dos dossiês foi produzida.
“Esse episódio significa a frustração de uma parte da minha vida Foi a aposta que eu fiz desde a minha juventude numa proposta política, num projeto político que se degenerou”, lamenta Santiago, que durante os tempos em que serviu como operário de espionagem do PT, ganhava cerca de R$ 13 mil por mês. “Além do cargo no Conselho da Vale”, acrescentou.
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