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Política & Poder

56% dizem que iriam votar neste ano mesmo se não fosse obrigatório, diz Datafolha

O nível de abstenção das últimas eleições gerais foi de 20,93% e, em 2018, de 20,33%, ambos no primeiro turno, segundo o TSE

Redação Jornal de Brasília

23/08/2026 19h02

urna eletrônica

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

ANA GABRIELA OLIVEIRA LIMA E MARCELO AZEVEDO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Mais da metade dos brasileiros (56%) diz que iria votar nas eleições de 2026 mesmo se o voto não fosse obrigatório no Brasil, mostra pesquisa Datafolha. Já 43% afirmam que não votariam, e apenas 1% não soube responder.

O levantamento foi realizado de terça (18) a quarta (19), com 2.058 entrevistas no Brasil, distribuídas em 128 municípios, com a população de 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-04496/2026 e foi encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo.

O nível de abstenção das últimas eleições gerais foi de 20,93% e, em 2018, de 20,33%, ambos no primeiro turno, segundo o TSE.

Os índices, considerados altos pela Justiça Eleitoral, preocupam especialistas, uma vez que a abstenção costuma recair de maneira desigual entre os segmentos e pode sinalizar cidadãos mais desestimulados a participar do processo democrático.

Para este pleito, o Datafolha mostra potencial de abstenção maior entre eleitores jovens. A parcela dos que dizem que não iriam votar se o voto não fosse obrigatório chega a 49% entre os entrevistados de 16 a 24 anos. Entre os de 60 anos ou mais, o índice é de 38%.

O levantamento mostra, ainda, que 26% dos brasileiros dizem não ter nenhum interesse por política.

Outros 23% afirmam ter grande interesse, enquanto 38% citam interesse médio e 12%, interesse pequeno.

A obrigatoriedade do voto no Brasil é prevista na Constituição, para maiores de 18 anos, como forma de garantir a soberania popular, segundo o texto da Carta Magna. Maiores de 70, jovens de 16 e 17 anos e analfabetos têm voto facultativo.

Atualmente, quem não aparece para votar nem justifica a ausência fica sujeito a uma multa de R$ 3,51 por turno, além de não conseguir retirar passaporte e prestar concurso público, entre outras consequências.

O cancelamento do título de eleitor ocorre após três ausências não justificadas. A obrigatoriedade não existe em todos os países, com aqueles, como os Estados Unidos, com voto opcional.

O voto é obrigatório no país oficialmente desde 1932, no primeiro governo de Getúlio Vargas. A obrigatoriedade foi mantida no Código Eleitoral atual, de 1965. Desde 1846, no período imperial, já eram previstas multas a quem faltasse nas votações para vereadores e juízes de paz.

O voto é opcional nos Estados Unidos e na maior parte dos países da União Europeia, como raras exceções como a Bélgica.

Na América Latina, a obrigatoriedade é comum e está presente, além do Brasil, na Argentina, Chile, Uruguai e Peru, entre outros.

De forma geral, opositores do voto obrigatório argumentam que a regra estimula o coronelismo em regiões mais pobres, com troca de voto por benefícios, e transforma em dever um direito individual, desvirtuando-o.

Defensores da obrigatoriedade, por outro lado, dizem que ela consolida práticas democráticas, algo ainda mais relevante em países como o Brasil, que passaram por ditadura, e amplia a legitimidade de governantes eleitos.

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