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Israel bombardeia Faixa de Gaza, mata duas pessoas e ameaça intensificar ofensiva

Netanyahu está sob pressão dos EUA e de países vizinhos que participaram da mediação que levou ao acordo de cessar-fogo de outubro de 2025

Redação Jornal de Brasília

23/08/2026 17h55

Foto: Ronen Zvulun, AFP

Foto: Ronen Zvulun, AFP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Ao menos duas pessoas, incluindo um menino de quatro anos, foram mortas e sete ficaram feridas neste domingo (23) por dois bombardeios aéreos feitos por Israel na Faixa de Gaza, segundo as autoridades de saúde palestinas, que atuam sob controle do grupo terrorista Hamas.

O primeiro ataque atingiu um prédio na cidade de Zawayda, na região central de Gaza. Antes, de acordo com moradores, o Exército israelense orientou os proprietários dos imóveis a deixarem a área. O segundo ocorreu no campo de refugiados de Nuseirat, segundo as autoridades de saúde.

Os bombardeios ocorreram depois que o gabinete do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, advertiu que Tel Aviv intensificaria sua ofensiva caso os lançamentos de balões, drones e pipas vindos de Gaza em direção ao país não cessassem imediatamente.

Netanyahu está sob pressão dos EUA e de países vizinhos que participaram da mediação que levou ao acordo de cessar-fogo de outubro de 2025. Turquia, Qatar e Egito acusam Israel de não cumprir com sua parte do trato, que exigia uma retirada da Faixa de Gaza —soldados israelenses ainda ocupam boa parte do território palestino.

Segundo a imprensa israelense, uma pipa foi derrubada neste domingo e outras quatro foram encontradas neste sábado (22) em comunidades próximas à fronteira com a Faixa de Gaza. Os itens não tinham explosivos, mas o Exército acredita que o Hamas pode estar por trás dos lançamentos para testar Israel. O grupo nega.

Uma autoridade de alto escalão do Hamas, Basem Naim, rebateu a declaração de Israel e escreveu no X que as pipas foram lançadas por “crianças que buscam sua infância inocente entre os escombros”.

Em outro comunicado, a organização acusou Israel de usar as pipas como pretexto para os ataques aéreos deste domingo no centro de Gaza.

“Não há cessar-fogo, não há nada”, disse Abu Ahmed, palestino deslocado que estava abrigado próximo do prédio que foi reduzido a uma pilha retorcida de aço e concreto após os ataques. “Queremos soluções, queremos viver em paz”, afirmou.

Em comunicado divulgado na noite de sábado, Israel afirmou ter atacado e matado um membro de alta patente do Hamas, Sharif Al-Hasnat, na cidade de Deir Al-Balah. Segundo o comunicado, ele liderava os esforços para restaurar a “infraestrutura subterrânea” do grupo terrorista.

O Hamas acusa Israel de violar o cessar-fogo e prejudicar os esforços para implementar um plano mais amplo do presidente dos EUA, Donald Trump, para encerrar o conflito em Gaza, que também prevê o desarmamento do grupo terrorista.

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