O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou, nesta quarta-feira (14), durante uma visita a Londres, que conta “com a colaboração dos Estados Unidos”, apesar de ter se sentido “traído” pelos recentes anúncios de Donald Trump, e pediu o restabelecimento do serviço de satélites Starlink.
Zelensky pediu a Elon Musk, proprietário do Starlink, que restabeleça essa rede de satélites utilizada para as comunicações na linha de frente e a interceptação de drones. Momentos depois, um membro de seu gabinete em Kiev disse que o acesso à Starlink havia melhorado, embora a SpaceX mantenha limites de velocidade.
O presidente ucraniano afirmou, antes de uma reunião com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, em Downing Street, que a Ucrânia sofreu “ataques em larga escala hoje e, infelizmente, também tivemos algumas dificuldades que quero discutir com Andy em relação ao Starlink e aos serviços de inteligência”.
A Ucrânia acusou os Estados Unidos de não tê-la alertado recentemente sobre uma série de ataques com mísseis lançados pela Rússia. Segundo Kiev, Washington teria ajudado Moscou, que também teria se beneficiado de mudanças no sistema Starlink que dificultaram a resposta militar ucraniana a esses ataques.
“Houve muitas surpresas de diferentes tipos com as quais não se pode contar quando existe uma verdadeira colaboração, e nós contamos com a colaboração dos Estados Unidos”, afirmou o presidente ucraniano.
“Simplesmente queremos ser muito honestos, muito claros e parceiros sólidos”, acrescentou Zelensky.
Por outro lado, em uma entrevista ao jornalista britânico Piers Morgan, Zelensky expressou sua decepção.
“Dói ver que o presidente Trump escolha um lado que não é o nosso”, disse o presidente ao jornalista, segundo trechos da entrevista publicados na internet.
Questionado por Piers Morgan se se sentia traído, Zelensky respondeu afirmativamente.
Um assessor do presidente ucraniano, Serguii Beskrestnov, afirmou, nesta quarta-feira, que o funcionamento de alguns terminais da constelação Starlink havia sido restringido durante a noite anterior, sem aviso prévio.
“Haverá mortos, é claro, se os ataques continuarem e o Starlink não funcionar. Espero sinceramente que se trate de um erro, talvez de um problema técnico importante. Não sei, mas pedimos que o serviço seja restabelecido”, declarou Zelensky a Piers Morgan, acrescentando que a interrupção da rede de satélites é “um grave erro”.
Durante sua reunião com Burnham, o presidente ucraniano elogiou, por outro lado, o apoio britânico a seu país, depois que o primeiro-ministro confirmou que Londres vai “acelerar a entrega de mísseis de defesa antiaérea”.
Poucas horas antes da reunião, Burnham declarou que quer tentar “recompor as relações” entre o presidente ucraniano e o presidente americano, Donald Trump, que criticou duramente Zelensky nos últimos dias.
O Reino Unido é um dos principais apoiadores da Ucrânia desde que a Rússia lançou sua ofensiva em grande escala, em 2022.
Desde que chegou ao poder, em julho, Burnham já se reuniu duas vezes com Zelensky, tanto na Inglaterra quanto em Kiev.
AFP