As condições a bordo do cruzeiro Costa Allegra, que por causa de um incêndio está sem eletricidade e sendo rebocado, “são difíceis porque não há energia e faz calor sufocante de 30 graus no exterior, mas dentro deve ser ainda pior”.
A afirmação é do capitão do pesqueiro “Trevignon” que reboca o Costa Allegra, Alain Derveute, em entrevista nesta quarta-feira ao canal de TV italiano “Tgcom 24”. Na conversa, ele garantiu que “a navegação é cansativa, mas as correntes são favoráveis, o mar está calmo e a viagem transcorre a velocidade de cinco nós”.
Derveute explicou que duas pessoas dividem o comando do pesqueiro: “Por segurança decidimos excluir o piloto automático”, declarou.
“No cruzeiro aterrissa duas ou três vezes por dia helicópteros com contêineres levando artigos de primeira necessidade”, afirmou.
O capitão explicou que estão cientes da presença de piratas “nessas águas, mas os passageiros sentem-se seguros porque a bordo do Costa Allegra há militares”. “É um caso excepcional e nunca antes vi algo parecido”, explicou.
A Guarda Costeira italiana confirmou que já estão a bordo os técnicos e as equipes administrativas enviadas pela companhia Costa Cruzeiros para tentar reparar o problema que bloqueou os motores da embarcação e que irão estudar a possibilidade de voltar a ativar, embora de maneira parcial, os propulsores, o que aceleraria a chegada ao porto.
Os militares chegaram ao cruzeiro a bordo de um navio da marinha das Seychelles levando um gerador de emergência, além de prestar atendimento aos passageiros.
Os 627 passageiros do cruzeiro Costa Allegra estão fazendo higiene com água mineral e comendo comidas frias, como frutas, salsichões e queijos, além do pão trazido diariamente pelo helicóptero da empresa, informou a Costa Cruzeiros.
A companhia proprietária do Costa Allegra informou que o horário de chegada à ilha de Mahé, o maior arquipélago das Seychelles, está sujeito a variações em função da velocidade e das condições do tempo e do mar, embora esteja previsto que chegue nesta quinta-feira, 1º de março, às 7h30 (de Brasília).
Conforme comunicado da empresa, em Mahé, uma equipe de 14 pessoas aguarda para dar assistência aos 627 passageiros (entre eles 15 espanhóis, dois brasileiros e um uruguaio), que serão hospedados em hotéis até serem repatriados.
Para a chegada dos passageiros estão reservados 600 assentos em aviões para sua repatriação e 400 quartos de hotel.
O incêndio no Costa Allegra, com oito andares e 399 camarotes, ocorreu um mês e meio depois do naufrágio do Costa Concordia, também de propriedade da Costa Cruzeiros, que naufragou em frente à ilha italiana de Giglio deixando 25 mortos e sete pessoas desaparecidas.