Washington, 08 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar nesta terça, 8, países que decidirem se alinhar aos integrantes do Brics e afirmou que quem já está no bloco será taxado em breve com uma tarifa de 10%. Em reunião de gabinete, Trump afirmou que o grupo – formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã – foi criado para “atingir e desvalorizar o dólar”.
Minimizando o impacto do grupo – “o Brics não é um problema” -, o republicano ressaltou o fato de que “estão tentando desvalorizar e destruir o dólar”. “Se perdemos o valor do dólar, é como se tivéssemos perdido uma guerra. Quem tentar desafiar o dólar vai pagar o preço”, disse.
Sobre os acordos comerciais, o presidente Trump destacou que “a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem sido muito gentil recentemente, mas eles nos trataram mal até pouco tempo atrás”. Ele afirmou ainda que está escolhendo alíquota para tarifas que seja baixa e justa com países. “A maioria das alíquotas de tarifas é menor do que as que os EUA pagam.”
O republicano também revelou que algumas tarifas podem chegar a 70%. “Posso ir além com as tarifas”, afirmou, ponderando que “poderia ter sido muito mais rigoroso no comércio”. “Não quis prejudicar os outros países.”
Em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, ao receber o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que os países do Brics rejeitam as ameaças de Trump. “Não aceitamos nenhuma reclamação contra a reunião do Brics”, disse Lula, no Palácio da Alvorada, um dia após a cúpula do grupo no Rio.
Cartas
Em entrevista à CNBC, ontem também, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, informou que Trump deve enviar entre 15 e 20 cartas adicionais nos próximos dois dias informando as tarifas às quais os países estarão sujeitos a partir de 1.º de agosto.
Na segunda-feira, 7, o presidente americano havia anunciado o envio de 14 documentos semelhantes. Trump impôs tarifas entre 25% e 40% a esse grupo de países. Essa lista inclui parceiros de longa data dos EUA, como o Japão e a Coreia do Sul, além de Malásia, Casaquistão e Mianmar, entre outros. Juntos, esses 14 países respondem por quase 15% das importações americanas. Todos foram comunicados por carta sobre as novas taxas sobre suas exportações aos EUA.
Lutnick disse que o presidente recebeu “uma pilha” de ofertas de governos para abertura de seus mercados aos EUA. Segundo ele, a expectativa é de que as tarifas para alguns sejam reduzidas, como aconteceu com o Vietnã. A União Europeia (UE), por exemplo, fez uma série de “ofertas reais” aos americanos, que estão sendo analisadas por Trump, de acordo com o secretário de Comércio.
Apesar da pressão, Trump demonstrou estar aberto a certa flexibilidade: “É muito demorado fechar acordos. Podemos fazer coisas ao longo dos anos. Nós não somos inflexíveis.”
Diálogo com a China
O secretário de Comércio informou ainda que o governo americano deve intensificar o diálogo com a China, sobre o comércio bilateral, no começo do mês que vem. “Estamos em posição muito boa”, disse ele na entrevista à CNBC. (COM FELIPE FRAZÃO E AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
Estadão Conteúdo