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Trump faz jogada da ‘dominância fiscal’

Esses cortes de impostos serão financiados por empréstimos sem precedentes

Redação Jornal de Brasília

11/07/2025 21h27

Foto: ANGELA WEISS / AFP)

São Paulo, 11 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está pressionando o Federal Reserve (Fed) para reduzir as taxas para facilitar o financiamento dos déficits. Isso pode acabar mal, mas, por enquanto, os investidores embarcaram na ideia.

Há um potencial spoiler, uma revelação antecipada de detalhes que pode estragar a o impacto final da trama, em relação ao dividendo de crescimento com o qual o presidente Trump está contando, devido aos cortes de impostos que o Congresso acaba de aprovar.

Esses cortes de impostos serão financiados por empréstimos sem precedentes. A economia dos livros didáticos prevê que os empréstimos elevarão as taxas de juros, neutralizando os benefícios de taxas de impostos mais baixas.

Trump tem uma resposta para isso: quebrar o vínculo entre déficits orçamentários e taxas. Nas últimas semanas, ele intensificou suas exigências para que o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, corte as taxas ou renuncie a alguém que o faça.

Trump sempre foi, como ele mesmo diz, uma “pessoa de juros baixos”. Mas suas últimas exigências acrescentam uma nova dimensão crítica: ele quer taxas mais baixas para atender às suas prioridades fiscais.

Uma enxurrada de novos títulos para financiar déficits normalmente pressionaria as taxas de juros de longo prazo. O Tesouro de Trump está tentando interromper esse mecanismo, sinalizando que a emissão de dívida tenderá a se inclinar para títulos de curto prazo e letras do Tesouro.

Isso é uma aposta arriscada. Se as taxas de curto prazo subirem, o custo atingirá rapidamente o orçamento. Trump, porém, não pretende deixar isso acontecer. “Vamos colocar alguém no Fed que será capaz de reduzir as taxas”, disse à Fox News.

Um banco central que muda suas prioridades de emprego e inflação para o financiamento do governo sucumbiria à “dominância fiscal”

Isso geralmente está associado a mercados emergentes com bancos centrais fracos, como a Argentina. O resultado normalmente é uma combinação de inflação, crise e estagnação. Fonte: Dow Jones Newswires.

Estadão Conteúdo

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