Donald Trump, cada vez mais frustrado com seu homólogo russo, Vladimir Putin, planeja apresentar uma nova estratégia nesta segunda-feira (14) para armar a Ucrânia contra a invasão russa, enquanto em Kiev, Volodimir Zelensky teve uma reunião “produtiva” com o enviado especial dos Estados Unidos.
O presidente americano, que emitiu vários sinais contraditórios em relação à Ucrânia, anunciou neste fim de semana que enviará mais sistemas de defesa aérea Patriot para o país, essenciais para conter os ataques russos.
O presidente russo, Vladimir Putin, se recusa a encerrar a invasão, iniciada em fevereiro de 2022, apesar dos apelos de Donald Trump por negociações.
O presidente americano prometeu uma declaração “importante” sobre a Rússia nesta segunda-feira, sem especificar sua natureza. Ele também receberá o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, na Casa Branca.
Uma fonte do governo da Alemanha, consultada sobre o anúncio de Donald Trump, disse que esperava que os Estados Unidos aprovassem “a entrega de algum armamento”.
“Os Estados Unidos esperam que a Europa faça uma contribuição financeira considerável para esse fim”, acrescentou a fonte.
Segundo o veículo de comunicação americano Axios, que citou duas fontes anônimas, Donald Trump anunciará, entre outras coisas, a entrega de armas ofensivas.
No domingo, Trump disse que as entregas de armas fariam parte de um acordo envolvendo a Otan, que pagaria aos Estados Unidos pelo que enviassem à Ucrânia.
Após seu retorno à Casa Branca em janeiro, Trump tentou entrar em contato com Putin e negociar com ele o fim da invasão da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022.
Mas, após várias rodadas de negociações infrutíferas entre Moscou e Kiev, o processo diplomático estagnou e Donald Trump parece estar perdendo a paciência. Ele chegou a dizer na semana passada que estava “decepcionado” com Vladimir Putin.
– Uma reunião “produtiva” –
No leste da Ucrânia, onde os combates estão em seu auge, o soldado Adistron, de 29 anos, disse estar “muito feliz” com o fato de seu país receber em breve mais sistemas Patriot, que, segundo ele, são eficazes na proteção de civis e soldados.
“Sem eles, ficamos indefesos”, disse à AFP. “Então, Trump, nos dê mais, mais Patriots”.
Outro militar de 29 anos, que se identificou como Grizzly, acredita que “antes tarde do que nunca”. “Graças aos Patriots que estão nos entregando, nossas famílias estarão mais seguras”, disse.
A ofensiva russa contra a Ucrânia se intensificou nas últimas semanas, coincidindo com o impasse nas negociações lideradas pelos Estados Unidos para encerrar os combates.
Moscou bate recordes a cada semana em número de drones lançados, fornecidos por uma indústria de defesa operando em plena capacidade.
Nesse contexto, o presidente ucraniano Volodimir Zelensky declarou nesta segunda-feira que teve uma reunião “produtiva” com o enviado especial americano, Keith Kellogg, que está em Kiev, e que ambos discutiram o fortalecimento da defesa aérea.
Kellogg chegou a Kiev nesta segunda-feira, após Trump anunciar a entrega dos novos sistemas de defesa aérea Patriot no domingo.
“Discutimos o caminho para a paz e o que podemos fazer juntos, na prática, para nos aproximarmos dela”, escreveu Zelensky nas redes sociais após a reunião.
“Isso inclui o fortalecimento da defesa aérea da Ucrânia, a produção conjunta e a aquisição de armas de defesa em colaboração com a Europa”.
O presidente ucraniano disse que também conversou com Kellogg sobre seu apelo para impor novas sanções contra a Rússia e os países que apoiam sua ofensiva militar.
“Está claro que Moscou não vai parar a menos que suas ambições irracionais sejam contidas pela força”, declarou Zelensky.
Vários congressistas americanos, incluindo republicanos como Trump, estão pressionando o presidente a tomar novas medidas. Trump se recusou até agora, dizendo que quer dar uma chance à diplomacia.
Na frente ucraniana, os militares russos permanecem na liderança.
O Ministério da Defesa russo afirmou nesta segunda-feira ter ocupado duas pequenas cidades ucranianas: Mayak, na região de Donetsk, e Malynivka, no sul da região de Zaporizhzhia.
Os ataques desta segunda-feira deixaram pelo menos três civis mortos nas regiões de Kharkiv e Sumy, ambas na fronteira com a Rússia e nordeste da Ucrânia, segundo autoridades locais.
Zelensky também propôs nesta segunda-feira nomear a ministra da Economia, Yulia Sviridenko, como primeira-ministra, em substituição a Denis Shmigal.
© Agence France-Presse