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Trump afirma que Irã solicitou reunião no Catar

Enquanto Trump anuncia encontro em Doha, Teerã afirma que não haverá negociação direta com Washington e mantém impasse sobre conflitos e Estreito de Ormuz

Redação Jornal de Brasília

29/06/2026 17h09

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Foto por SAUL LOEB / AFP

O presidente americano, Donald Trump, declarou, nesta segunda-feira (29), que representantes dos Estados Unidos e do Irã vão se reunir na terça no Catar, enquanto Teerã anunciou o envio de uma delegação de especialistas a Doha, mas informou que não terá “nenhuma reunião de negociação com a parte americana”.

O anúncio chegou após Teerã e Washington concordarem em suspender os ataques mútuos depois de uma série de hostilidades no fim de semana no Golfo.

“O IRÃ PEDIU UMA REUNIÃO. ELA ACONTECERÁ AMANHÃ EM DOHA!”, afirmou Trump em sua plataforma, Truth Social. Pouco depois, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, anunciou à Fox News que os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner viajariam para lá “esta semana para participar de reuniões de alto nível”.

Durante o dia, a chancelaria iraniana negou que esta reunião vá ocorrer e fez alusão a uma informação “incorreta”. Mais tarde, porém, o porta-voz do ministério, Esmaeil Baqaei, anunciou que uma delegação irá a Doha ao final da semana para discutir a implementação das cláusulas do memorando.

O porta-voz detalhou que ainda não estão na etapa de negociação de um acordo definitivo e que nos próximos dias o Irã não terá “nenhuma reunião de negociação com a parte americana em nenhum nível”.

O Catar atua como mediador, juntamente com o Paquistão, nas negociações entre os dois países com o objetivo de pôr fim à guerra no Oriente Médio. O país também detém parte dos ativos iranianos congelados pelas sanções americanas.

– Tensão por Ormuz –

A tensão entre Washington e Teerã gira principalmente em torno da gestão do estratégico Estreito de Ormuz, por onde, antes da guerra, passavam 20% dos hidrocarbonetos consumidos em nível mundial.

Essa via navegável foi reaberta na semana passada, depois de o Irã tê-la fechado desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, desencadeado por ataques dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica.

Teerã afirma há semanas que a operação no Estreito de Ormuz não voltará a ser como era antes da guerra, quando era gratuita, ao que Washington se opõe.

Os Estados Unidos acusaram o Irã de atacar dois navios na semana passada e bombardearam a República Islâmica na sexta-feira. Teerã respondeu atacando posições americanas na região do Golfo.

Essas hostilidades, que se estenderam até o domingo, colocaram em risco o memorando de entendimento assinado em 17 de junho, que visa pôr fim à guerra no Oriente Médio.

O Irã insiste que os navios que atravessam o estreito devem circular por um corredor próximo ao seu litoral, embora esta semana dezenas de embarcações o tenham feito pelo lado oposto do canal, perto da costa de Omã.

Em um comunicado conjunto divulgado nesta segunda-feira, após uma reunião entre o presidente francês, Emmanuel Macron, e o sultão de Omã, Haitham bin Tariq, ambos defenderam uma “navegação livre, sem condições, nem restrições” e anunciaram que realizariam “operações conjuntas de desminagem”.

Em resposta, o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, insistiu no X que, segundo o acordo, só o Irã devia realizar as operações de desminagem e “nenhum outro país”.

O tráfego marítimo desacelerou durante o fim de semana depois que um navio foi atingido enquanto passava pela via marítima no sábado.

Segundo dados da empresa de rastreamento marítimo Kpler, 29 navios de carga cruzaram o estreito no sábado e 12 no domingo.

– Líbano, determinado a mobilizar o exército até a fronteira –

Em outra frente da guerra, o presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou que o chefe do Comando Central dos Estados Unidos está determinado a estender o controle do Estado através do seu exército até a fronteira com Israel, onde o movimento islamista Hezbollah, apoiado pelo Irã, mantém forte presença.

Israel prosseguiu com os ataques no Líbano no domingo, apesar da assinatura, na sexta-feira, em Washington, de um acordo que visa uma “paz duradoura” entre os dois países.

O acordo condiciona a retirada de Israel dos territórios libaneses ocupados ao desarmamento do Hezbollah por Beirute, uma exigência antiga que o governo libanês não conseguiu implementar.

O Líbano foi arrastado para o conflito no início de março, quando o Hezbollah atacou Israel em apoio ao Irã, após o início da guerra contra Teerã.

O Irã insiste em incluir o conflito no Líbano no memorando de entendimento com os Estados Unidos.

AFP

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