Washington, 22 – A diretora do serviço secreto dos EUA, Kimberly Cheatle, reconheceu ontem, durante uma audiência no Congresso, que a agência falhou em sua missão de evitar a tentativa de assassinato do ex-presidente Donald Trump, na semana passada.
“Fracassamos”, disse Cheatle. “Como diretora do serviço secreto, assumo toda a responsabilidade por qualquer falha de segurança”, disse ela a um comitê da Câmara dos Deputados, em meio a críticas e apelos por sua renúncia.
Cheatle foi criticada durante horas por republicanos e democratas, irritando repetidamente os legisladores ao evitar perguntas sobre a investigação em sua primeira audiência parlamentar sobre a tentativa de assassinato. Ela qualificou o atentado como “a falha operacional mais significativa do serviço secreto em décadas”.
O atirador, Thomas Mathew Crooks, um jovem de 20 anos, disparou contra Trump com um fuzil tipo AR-15, minutos depois que o ex-presidente começou a discursar em Butler, zona rural da Pensilvânia. Crooks foi morto por um atirador do serviço secreto 26 segundos depois de disparar oito vezes.
Reação
A investigação determinou que Crooks, que vivia em uma cidade a 80 quilômetros de Butler, agiu sozinho e sem nenhuma motivação ideológica ou política.
Cheatle soube que o serviço secreto foi informado sobre uma pessoa suspeita de duas a cinco vezes antes do tiroteio. Ela também revelou que o telhado de onde Crooks abriu fogo havia sido identificado como uma vulnerabilidade dias antes do comício Cheatle disse que pediu desculpas a Trump em um telefonema após os tiros.
Ataques
Os deputados bombardearam Cheatle com perguntas sobre como o atirador conseguiu chegar tão perto do candidato presidencial republicano, quando ele deveria estar cuidadosamente protegido, e por que Trump foi autorizado a subir ao palco após Crooks ter sido identificado como suspeito.
“Esta tragédia poderia ter sido evitada e, ao meu ver, a diretora Cheatle deveria renunciar”, disse o presidente do Comitê de Supervisão, o republicano James Comer, ao abrir a audiência.
A chefe do serviço secreto tentou se defender. “Um indivíduo com uma mochila não é uma ameaça”, respondeu Cheatle. “Um indivíduo com um telêmetro (dispositivo de precisão para medir distâncias) também não é uma ameaça.”
As críticas, no entanto, vieram também dos democratas. “Já se passaram 10 dias desde uma tentativa de assassinato contra um ex-presidente dos EUA. Independentemente do partido, precisamos de respostas”, disse Alexandria Ocasio-Cortez, deputada democrata de Nova York. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
Estadão Conteúdo