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Senado do Paraguai rejeita pedido de Peña e abre caminho para processo de impeachment

Peña havia pedido mais cedo nesta sexta uma “prorrogação de 72 horas” para preparar sua defesa, um dia depois que o Congresso recusou aceitar sua renúncia ao cargo, o que impediria que ele fosse a julgamento

Redação Jornal de Brasília

06/11/2026 13h46

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Foto por DANIEL DUARTE / AFP

O Senado paraguaio rejeitou, nesta sexta-feira (6), o pedido do presidente, Santiago Peña, de adiar o início do processo de impeachment devido a um escândalo bancário que congelou os depósitos de quase metade da população e mergulhou o país em uma crise institucional.

Peña havia pedido mais cedo nesta sexta uma “prorrogação de 72 horas” para preparar sua defesa, um dia depois que o Congresso recusou aceitar sua renúncia ao cargo, o que impediria que ele fosse a julgamento.

Ao negar a prorrogação, os parlamentares abrem caminho para debater o impeachment, que poderia ocorrer ainda nesta sexta-feira.

“A prorrogação foi rejeitada, isso será comunicado ao presidente da República, que será convocado”, disse o presidente do Senado, Basilio Núñez.

A crise eclodiu na terça-feira, quando o Banco Central decidiu intervir no Ueno Bank, associado a Peña, devido a problemas de solvência, o que acarretou no congelamento das contas de cerca de três milhões de clientes, além de grandes recursos estatais ali depositados.

Milhares de pessoas protestaram nos últimos dias em Assunção, inclusive em frente ao Congresso, para exigir a devolução de seu dinheiro e a destituição do mandatário de direita aliado de Washington.

“Quero ver Santiago Peña na prisão, porque ele nos roubou, roubou o povo, mentiu”, disse à AFP Mariano Giménez, um estudante de 26 anos, em um protesto que terminou com caminhões de combate a incêndio lançando água e gás lacrimogêneo.

Nesta sexta-feira, a embaixada dos Estados Unidos no Paraguai expressou “sua solidariedade ao povo paraguaio”, sem mencionar o mandatário.

Peña, de 47 anos, deve comparecer nesta sexta-feira perante o Senado. Na véspera, o presidente havia apresentado sua renúncia, mas o Congresso, por falta de quórum, não pôde votar para aceitá-la ou rejeitá-la.

Uma renúncia aceita conferiria a Peña imunidade parlamentar, já que, na qualidade de ex-presidente, ele passaria a ter o status de senador vitalício, explicaram à AFP constitucionalistas e deputados.

– Quem assume o governo? –

Peña continua sendo tecnicamente o chefe de Estado.

O anúncio de sua renúncia ocorreu quando a Câmara dos Deputados votava o processo de impeachment, aprovado pelos 78 parlamentares presentes, incluindo todos os de seu próprio partido, que lhe retirou o apoio.

Simultaneamente, os deputados recusaram abrir outro processo de impeachment contra o vice-presidente, Pedro Alliana, de 52 anos, o que abre caminho para que ele eventualmente suceda Peña.

“Aqui foi montado um esquema criminoso que se dedicou a esvaziar um banco com a proteção de instituições que ele controlava como presidente da República”, disse na quinta-feira, em sua acusação, o deputado opositor Raúl Benítez.

– Escândalo bancário –

Peña, ex-ministro da Fazenda que assumiu a presidência em 2023, detinha ações de um grupo que controlava o banco, das quais se desfez em 2025.

O caso escalou em poucos dias e resultou na renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo. O ministro do Interior, Enrique Riera, renunciou ao cargo na quinta-feira.

Peña promulgou uma lei que estabeleceu um prazo máximo de cinco dias úteis para devolver aos correntistas a maior parte dos fundos. Mas não foi suficiente. Iniciou-se uma investigação na Justiça paraguaia que levou à prisão de oito diretores do banco.

Na tarde de quinta-feira, a Procuradoria-Geral do Paraguai também anunciou a abertura de uma investigação penal contra o mandatário por “fatos relativos à supervisão e resolução do Ueno Bank S.A. e à colocação de fundos públicos nessa entidade”.

A crise atingiu a Argentina, onde cerca de 1.000 funcionários da empresa de tecnologia ITTI, do mesmo grupo, foram suspensos por 30 dias sem salário.

Também afetou o futebol paraguaio. A Confederação Sul-Americana de Futebol tinha cerca de 13 milhões de dólares (R$ 71,5 milhões) no banco, disse à AFP uma fonte da confederação sob condição de anonimato, e ressaltou que “isso não afeta em absoluto o funcionamento da Conmebol”.

O Ueno Bank patrocinava os principais times da primeira divisão do país e a seleção paraguaia. “Também fomos vítimas dessa situação”, disseram os jogadores da seleção em um comunicado no X.

AFP.

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