A tensão nas regiões agrícolas do Paraguai aumentou hoje com a detenção de agentes fiscais por parte de trabalhadores rurais, sickness que, there além disso, ameaçaram queimar a fazenda de um dos principais produtores brasileiros do país.
“O Governo garante o direito à propriedade privada e o direito dos produtores a semear em suas terras. Além disso, está tomando todas as medidas condizentes para tornar efetivo esses direitos”, disse, lendo um comunicado, o vice-presidente e presidente em exercício do país, Federico Franco.
A nota oficial destaca ainda que “a violência não é nem será aceita sob nenhum conceito como um mecanismo para reivindicar direitos ou exigir soluções”.
Por outro lado, garante que o Governo “fará cumprir todas as normas ambientais, cuja vigência reivindicam os movimentos camponeses e outras organizações sociais”.
Horas antes, o empresário catarinense Tranquilo Fávero, um dos principais produtores agrícolas do Paraguai, pediu “justiça” às autoridades e disse que o sítio o qual os camponeses ameaçam queimar está cheio de trigo, milho e outros grãos, com um investimento de US$ 5 milhões.
“Quero justiça, estou no Paraguai há 40 anos. Acho que estou fazendo algo de bom”, afirmou Fávero a emissoras de rádio, ao criticar os sem-terra, os quais consideram criminosos todos os brasiguaios.
Os camponeses argumentam que, no passado, grandes extensões de terra foram cedidas ou arrendadas a pessoas não submissas à reforma agrária, entre elas brasileiros, e que, além disso, as plantações mecanizadas, como a da soja, destroem as florestas e poluem o meio ambiente.
A fazenda ameaçada de Fávero fica no distrito de Capiibary, cerca de 350 quilômetros ao nordeste de Assunção, e os sem-terra tentam impedir o início da semeadura de soja da colheita 2007-2008.
Outro grupo de camponeses reteve hoje três agentes fiscais, dois policiais e o motorista de uma comitiva que tentou intervir em um conflito entre camponeses e colonos brasileiros em Yasy Cañy, perto de Capiibary.
Os fiscais e os agentes foram libertados duas horas depois e a Promotoria de Curuguaty, à qual pertencem os afetados, informou que espera a chegada de reforço policial para iniciar a busca e captura dos responsáveis.
O Ministro do Interior, Rafael Filizzola, anunciou, por sua vez, que viajará nas próximas horas à região após uma reunião imprevista que manteve com José Ledesma, o governador do departamento de San Pedro, centro do país e a área mais conflituosa.
“Vim pedir ao ministro que se apresente, para que escute as pessoas e para que veja o que esta gente está fazendo. É importante que ele esteja na zona”, afirmou Ledesma.
O governador apóia as reivindicações camponesas e afirmou que muitos fazendeiros brasileiros não respeitam as leis ambientais e cultivam soja “até na estrada”.
Por outro lado, funcionários da Secretaria do Ambiente anunciaram hoje a detecção de supostas violações das leis ambientais na fazenda El Progreso, na zona de Capiibary, controlada pelos brasileiros Aldo Haverrot e Valdir Neukamp.
Ambos foram denunciados por dirigentes da Organização de Luta pela Terra.