O presidente francês, Nicolas Sarkozy, garantiu nesta quinta-feira (9) a continuidade da usina nuclear mais antiga da França, em serviço desde 1977, e disparou contra seu adversário das próximas presidenciais, o socialista François Hollande, que defende sua desativação para diminuir o uso de eletricidade de origem atômica no país.
“Não vamos fechá-la”, ressaltou Sarkozy durante uma visita a usina central de Fessenheim, situada nas margens do Reno e próxima das fronteiras da Alemanha e Suíça.
Em uma rápida conversa com os operários do complexo, antes de pronunciar seu discurso sobre energia nuclear, o presidente criticou as propostas eleitorais de Hollande neste campo.
Apesar de não dizer o nome do candidato socialista, Sarkozy afirmou que o plano de pôr fim à produção em Fessenheim, medida também defendida por alguns ambientalistas, é “uma loucura”, acrescentando que seu adversário “não está refletindo”.
“Para que fechar a Fessenheim, para fazer política?”, indagou Sarkozy. Durante o discurso e com um tom mais formal, o presidente francês explicou que o complexo atômico, equipados com dois reatores de 900 megawatts, recebeu um investimento de 600 milhões de euros nos últimos cinco anos.
Sarkozy lembrou que a própria Autoridade da Segurança Nuclear (ASN) já emitiu uma autorização para que um dos reatores siga funcionando nos próximos 10 anos, sendo que, em breve, o segundo também deverá receber essa mesma autorização.
“Se houvesse alguma dúvida que questionasse a segurança da central (…) não pensaria duas vezes antes de pedir a EDF para fechar a Fessenheim”, afirmou o presidente francês, que acrescentou que a “França sempre deu prioridade absoluta à segurança”
Em relação à segurança da central, Sarkozy disse que a França dispõe de uma organização que “é uma referência mundial” e que se sustenta de forma independente. Segundo o presidente francês, a ASN faz 700 inspeções anuais e outorga autorizações com validade de 10 anos no final dos exames.
Hollande afirmou que se chegar à Presidência vai manter o grosso das usinas nucleares, mas que sua intenção é diminuir o peso da produção atômica na eletricidade de 75% para 50% até 2025.
Para assegurar seu discurso, o candidato socialista se comprometeu em fechar a Fessenheim durante seu mandato e não construir nenhuma nova usina nos próximos cinco anos.