A Rússia pretende transferir parte da frota do Mar Negro para a região separatista da Abkházia, viagra anunciou hoje Vladimir Komoedov, general e deputado da Duma (Câmara Baixa da Rússia).
“Estamos estudando a construção de uma base naval para a frota na Abkházia”, afirmou Komoedov, antigo comandante da frota do Mar Negro, citado pelas agências russas.
Komoedov deu estas declarações após participar de uma reunião a portas fechadas do comitê de Defesa da Duma na qual também esteve presente o chefe do Estado-Maior do Exército russo, Nikolai Makarov.
Os navios da frota do Mar Negro se localizariam na base naval de Ochamchira, na Abkházia.
As autoridades separatistas informaram que habilitarão a base de Ochamchira e também o aeroporto de Gudauta, ambas instalações militares da época soviética, para acolher tropas regulares russas.
O posicionamento dessas tropas começou em 11 de outubro, no dia seguinte às forças de paz russas abandonarem definitivamente a faixa de segurança que separava a Abkházia e a outra região separatista, a Ossétia do Sul, do território administrado por Tbilisi.
Em princípio, a frota russa do Mar Negro deve abandonar sua base atual – o porto ucraniano de Sebastopol (na península da Criméia) – em 2017, quando expira o contrato assinado por Moscou e Kiev em 1996.
Até agora, a Ucrânia rejeitou todas as propostas apresentadas pela Rússia para prolongar o acordo.
A própria primeira-ministra do país, Yulia Timoshenko, afirmou em sua última visita a Moscou que a partir de 2017 “a Ucrânia deve ficar livre de qualquer base militar (estrangeira)”.
No início de setembro, a Rússia obteve um acordo com as autoridades da Abkházia e da Ossétia do Sul para o desdobramento de 3.800 soldados russos em cada um dos territórios separatistas georgianos.
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jaap de Hoop Scheffer, qualificou de “inaceitável” a decisão russa de desdobrar tropas de maneira permanente nessas regiões.
Scheffer considera que o acordo de desdobramento de tropas russas supõe uma violação do acordo europeu de cessar-fogo, que estipula que estas devem retornar às posições anteriores à eclosão do conflito na Ossétia do Sul, em 8 de agosto.