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Mundo

Rússia critica criação de grupo opositor à Síria

Arquivo Geral

09/02/2012 13h55

A Rússia desvalorizou nesta quinta-feira toda a legitimidade da iniciativa ocidental para criar um grupo de oposição à Síria, como ocorreu no ano passado no caso da Líbia.

“Temos uma atitude de cautela com diferentes formatos que não consideramos legítimos do ponto de vista do direito internacional”, afirmou Aleksandr Lukashevich, porta-voz da Chancelaria russa, citado pelas agências locais.

O diplomata russo lembrou que “existe uma experiência extremamente negativa de criação de formatos similares, por exemplo, na Líbia”.

“Estamos contra qualquer formato que vise o reforço da interferência externa em um conflito interno a favor de um dos grupos enfrentados”, disse.

Na sua opinião, “naturalmente, estes formatos não permitem elaborar uma linha estratégica e não tem nenhuma legitimidade do ponto de vista legal internacional”.

“Ali (na Síria) acontece um conflito interno. A palavra revolução não é citada. Não se trata de um acontecimento revolucionário. Também não falaria que o país se encontra em uma situação pré-revolucionária”, insistiu.

Ele defendeu o reatamento da missão da Liga Árabe na Síria e o aumento “considerável” do número de observadores, que abandonaram o país no final de janeiro. “Consideramos que a presença de observadores internacionais na Síria é um importante fator estabilizador”, disse.

Lukashevich também afirmou que a Rússia está “alarmada” pelas informações da imprensa israelense sobre a possível incursão de forças especiais estrangeiras em território sírio e defendeu a venda de armamento a Damasco.

Ao mesmo tempo, ele reconheceu que a Rússia “critica que as reformas (políticas na Síria) tenham demorado” e acrescentou que “possivelmente teriam que ser introduzidas antes”.

Na véspera, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, justificou em conversa telefônica com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, a decisão russa de vetar nas Nações Unidas o último projeto de resolução árabe, dizendo que não conduz à paz na Síria.

A Rússia afirma que uma resolução que contemple a ingerência exterior no país árabe e imponha a renúncia do líder sírio, Bashar al Assad, nunca será aprovada pelo Conselho de Segurança.

As autoridades russas acusam os EUA de querer aplicar na Síria o que aconteceu na Líbia: sanções internacionais, embargo aéreo, intervenção militar ocidental e mudança de regime.

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