A mobilização antigovernamental dos “camisas vermelhas” exigiu hoje que o Governo da Tailândia dissolva o Parlamento em 30 dias e crie um comitê independente para investigar os surtos de violência em Bangcoc.
Veera Musikapong, um dos líderes da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, a plataforma dos “camisas vermelhas”, assegurou que, se o Executivo aceitar estas condições, serão retomadas as negociações com o primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, sobre uma saída à crise política.
Esta semana, as autoridades, que negociaram anteriormente com os manifestantes sem resultado, propuseram dissolver o Parlamento em julho, depois que fossem aprovados os orçamentos.
Já o chefe do Exército Anupong Paochinda voltou a negar hoje uma possível intervenção para acabar com a mobilização antigovernamental.
“O emprego da força contra os ‘camisas vermelhas’ causará danos impensáveis, terá graves consequências e não solucionará o problema”, afirmou Paochinda, em reunião com seus generais.
“Priorizando o interesse da nação, o Exército está disposto a ajudar a resolver o problema através do raciocínio em vez de agredindo um compatriota”, acrescentou o general, segundo a imprensa tailandesa.
No dia 10 de abril, 25 pessoas morreram e 874 ficaram feridas nos enfrentamentos entre as forças de segurança e os manifestantes.
Ontem à noite, uma pessoa morreu e 75 ficaram feridas quando desconhecidos lançaram três granadas em lugares públicos da capital.
O diretor do Departamento de Investigação Especial da Polícia, Tharit Pengdit, assegurou hoje, em uma declaração transmitida pela televisão, que os “terroristas” que perpetraram os atentados de quinta-feira receberão pena de morte.
“Os ataques com bombas não são nossos, como já dissemos, nós lutamos por meios pacíficos”, insistiu hoje Nattawut Saikua, outro dirigente da Frente Unida.
“Como é que nenhum ataque foi contra os ‘camisas vermelhas’?”, se perguntou o ministro permanente de Defesa tailandês, o general Apichart Penkitti.
A Polícia deteve um “camisa vermelha” que confessou durante o interrogatório ter distribuído armas entre os manifestantes no dia 10 de abril.
Austrália, Estados Unidos, Filipinas e Reino Unido recomendaram a seus cidadãos que evitem viajar a Bangcoc, enquanto os Governos de Canadá, Indonésia e Cingapura, entre outros países, expressaram sua preocupação pela violência gerada pelas mobilizações antigovernamentais.
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse também que a Tailândia atravessa “um momento que precisa da moderação por ambas as partes”.