Menu
Mundo

Prostitutas da Argentina fazem paralisação em protesto contra feminicídios

Organizadoras fizeram um chamado para as mulheres ficarem esta terça-feira sem trabalhar

Redação Jornal de Brasília

03/11/2026 20h20

prostitutas argentina protesto

Foto: Reprodução/ X/ Lavaca Tuitera

ANGELA BOLDRINI
FOLHAPRESS


Trabalhadoras sexuais da Argentina realizaram manifestações e paralisações nesta terça-feira (3) para exigir maior segurança e o fim da clandestinidade. Os protestos foram convocados pela Ammar (Associação de Mulheres Meretrizes da Argentina) após cinco feminicídios neste semestre, quatro deles no mês passado.

Em 25 de outubro, o corpo de Tatiana Fernández, 27, foi encontrado em um apartamento no bairro de Retiro, em Buenos Aires. Dias depois, a polícia prendeu um suspeito, Renato Iván Tabella, 28, e anunciou que ele também estava sendo investigado pelo assassinato de Daniela Villalba, 29, em Córdoba.

As duas eram trabalhadoras sexuais. Outras duas mulheres foram mortas em Rosário. Em agosto, Débora Bordón, 30, foi morta a punhaladas; em 11 de outubro, Bárbara Camila Aragón foi encontrada morta em uma pensão. Em ambos os casos, homens apontados como clientes foram presos pelos crimes.
Poucos dias antes, em 8 de outubro, Paola Vallejos, 36, foi encontrada morta na cidade costeira de Costa Azul.

Ativistas e trabalhadoras sexuais protestam em frente ao Congresso argentino demandando maior segurança e regulamentação Lavaca Tuitera no X “Queremos visibilizar a condição de precariedade em que exercemos nosso trabalho”, afirmou Georgina Orellano, secretária-nacional da Ammar, em entrevista para a emissora Radio con Vos. “Nossa reivindicação é também que a vida das trabalhadoras sexuais também importa.”

As organizadoras fizeram um chamado para as mulheres ficarem esta terça-feira sem trabalhar. Como a prostituição não é regulamentada, não é possível saber quantas aderiram ao protesto. Em algumas partes do país, as mulheres decidiram fazer manifestações virtuais, deixando de trabalhar em sites por algumas horas ou publicando mensagens e hashtags.

O cartaz-símbolo das manifestações, que circula nas redes sociais, traz o slogan “Ni Una Menos” (Nem uma a menos), utilizado nos protestos contra o feminicídio que se espalharam pela Argentina desde 2015. No centro, a imagem de um sapato de salto. Em alguns casos, o texto foi adaptado para “Ni Una Puta Menos” ou “Ni Una Trabajadora Sexual Menos”.

Outras ativistas se reuniram na frente do Congresso, em Buenos Aires, com cartazes e megafones demandando maior proteção jurídica para as trabalhadoras sexuais. Na Argentina, a prostituição individual não é crime, mas qualquer tipo de cafetinagem ou de agenciamento de trabalho sexual é ilegal. O objetivo é coibir o tráfico de pessoas e a exploração sexual.

Isso significa que as prostitutas não têm regulamentação do mercado de trabalho e não podem acessar benefícios como aposentadoria, seguro-desemprego e afins.

A Ammar argumenta que isso leva mulheres a uma situação de maior insegurança, tendo que aceitar trabalhos perigosos -como ir até a casa de homens desconhecidos- para receber pagamentos maiores.

Foi justamente indo ao encontro de clientes que três das trabalhadoras assassinadas em meses recentes morreram.

Além disso, elas são alvos frequentes da polícia. Em 2020, a Ammar convocou manifestações em Buenos Aires contra o fechamento de motéis e reivindicou o fim de batidas policiais em pontos de prostituição da cidade.

Desde 23 de setembro deste ano, a Câmara dos Deputados da Argentina analisa um projeto de lei que propõe proibir estabelecimentos de “exploração sexual” em todo o país. A medida reacende o debate entre abolicionistas -que consideram que todo tipo de prostituição é uma forma de violência– e setores, como a Ammar, que defendem a regulamentação do serviço sexual como uma profissão qualquer, como forma de proteger mulheres que recorrem a ela.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado