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Povo enfrentou sem armas um Exército mobilizado que disparava contra ele, diz Arce

Falando na noite desta quinta-feira (27) na capital La Paz a jornalistas da região, agradeceu ao povo e à polícia boliviana

Redação Jornal de Brasília

27/06/2024 22h35

O presidente boliviano Luis Arce (C) fala da varanda do Palácio do Governo em La Paz em 26 de junho de 2024. – O presidente boliviano Luis Arce criticou na quarta-feira uma tentativa de “golpe de estado” depois que soldados e tanques foram posicionados fora de prédios do governo e tentaram derrubar uma porta do palácio presidencial, antes de recuar. (Photo by AIZAR RALDES / AFP)

MAYARA PAIXÃO
LA PAZ, BOLÍVIA (FOLHAPRESS)

Luis Arce, presidente da Bolívia, deu uma de suas mais longas declarações sobre a recente tentativa de golpe de Estado contra seu governo. Falando na noite desta quinta-feira (27) na capital La Paz a jornalistas da região, agradeceu ao povo e à polícia boliviana.

Lucho, como é conhecido, disse que foi a população que bloqueou a operação encabeçada pelo agora ex-chefe do Exército Juan José Zúñiga e à qual se somaram os chefes das forças Naval e Aérea, formando a tríade do comando militar –demitida pelo presidente horas mais tarde.

“O povo enfrentou sem armas um Exército mobilizado que disparava contra ele”, afirmou Arce. Ele disse que ao menos 14 civis ficaram feridos no episódio e que alguns deles precisaram passar por cirurgias.

O economista foi questionado sobre as acusações de Zúñiga e de parte da oposição de que toda essa operação foi, na verdade, tramada por ele para se autopromover, como um autogolpe. “Não tem sentido”, disse. “Nunca tivemos qualquer informação do que ele pretendia.”

“Não sou um político que vai tentar ganhar popularidade com o sangue do povo”, seguiu o apadrinhado político de Evo Morales que hoje está em rota de colisão com o ex-presidente.

Mais, Arce também detalhou como ocorreu a tentativa de golpe. Ele disse que durante todo o dia seu governo tentou contatar Zúñiga e demais líderes militares após observarem que as tropas se deslocavam rumo a La Paz. Não houve nenhuma resposta até o momento de confronto na praça Murillo, onde estão concentrados os Poderes.

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