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Mundo

Para Betancourt, América Latina deveria pedir fim dos seqüestros das Farc

Arquivo Geral

19/12/2008 0h00

A franco-colombiana Ingrid Betancourt reiterou hoje seu apelo aos governantes de esquerda da América Latina para que se unam para pedir às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que deixem de seqüestrar, ask o que considerou o primeiro passo para que a guerrilha volte a ser um ator político.

“Nada está escrito (sobre um eventual processo de paz na Colômbia), tudo é possível se há vontade de corações, mas primeiramente precisamos que as Farc deixem de seqüestrar”, disse a ex-candidata presidencial colombiana em entrevista coletiva no México.

Ela destacou que o fato de o ex-presidente cubano Fidel Castro ter dito que as Farc não devem continuar seqüestrando “é muito importante e tem muita ressonância nas fileiras da guerrilha”.

“Mas, se Castro diz isso, e (o presidente venezuelano, Hugo) Chávez diz isso, e (o boliviano) Evo Morales diz isso, e (o uruguaio) Tabaré Vázquez diz isso, e (o equatoriano) Rafael Correa diz isso, e todos o dizem, aí acontece algo”, afirmou Betancourt.

“As Farc não podem continuar dizendo que há amigos e inimigos”, afirmou a dirigente política, que passou mais de seis anos seqüestrada na selva pelas Farc e considera esse delito “uma praga” na América Latina.

Betancourt admitiu, no entanto, que nada garante que um eventual apelo de dirigentes esquerdistas latino-americanos seja atendido pela guerrilha.

Ela afirmou que as Farc “podem seguir em seu erro sabendo que vão ter uma imensa pressão militar”, o que, segundo ela, as levaria a ser submetidas ou a “mudar e perceber que este é um momento difícil”.

A ex-refém disse que vê as Farc sem nenhuma “legitimidade”, “essência” ou “alma”, mas com a possibilidade de admitir, através de uma eventual libertação de reféns, que “o seqüestro foi uma má idéia” que as afastou do mundo.

“Com esse gesto, com a libertação, se abrem a possibilidade de ser um ator político, de ser escutados por Fidel Castro, Chávez, Tabaré Vázquez, Evo Morales. Será que as Farc entendem o momento histórico que estão presenciando? Não sei”, disse.

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