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Palco de protestos, Paraguai exibe números da Covid muito menores que os do Brasil

Desde que o primeiro caso da doença foi reportado, em 7 de março de 2020, o país acumula 168 mil infecções (23.365 por 1 milhão de habitantes)

Foto: Agência Brasil

Sylvia Colombo
Assunção, Paraguai

Ainda que a condução da pandemia de Covid-19 no Paraguai seja alvo de protestos que pedem a saída do presidente Mario Abdo Benítez, os números locais da crise são baixos em relação aos dos vizinhos.


Desde que o primeiro caso da doença foi reportado, em 7 de março de 2020, o país acumula 168 mil infecções (23.365 por 1 milhão de habitantes). Só na última sexta (5), o Brasil registrou 75.337 contaminações por Covid-19 (51.591 por 1 milhão de habitantes, no total).


A primeira morte no Paraguai devido ao vírus foi confirmada 15 dias depois do primeiro caso. Desde então, o país somou 3.318 óbitos (461 por 1 milhão de habitantes), segundo a Universidade Johns Hopkins. O Brasil, segundo colocado no mundo nesse ranking, tem 265.411 (1.243 por 1 milhão de habitantes).


Assim que os primeiros casos de coronavírus começaram a surgir na região, o Paraguai adotou medidas severas de quarentena e controle de fronteiras –rapidamente aceitas pela população. Por meio do sistema montado para difundir as precauções no combate à dengue, o governo foi eficiente na comunicação, e o país teve, nos três primeiros meses da pandemia, desempenho considerado exemplar.

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Albergues foram criados para isolar durante 14 dias os que chegavam do exterior, com custos e vigilância assumidos pelo Estado. Em junho, quando a América Latina se convertia no epicentro da pandemia, os números do Paraguai destoavam, assim como os do Uruguai (63.837 casos e 651 mortes, no total).


Quando o país começou a flexibilizar sua rígida quarentena, em julho, um dos problemas que surgiram foi a fronteira com o Brasil, na região do Alto Paraná. Embora fechada oficialmente, a linha porosa que divide os países não impediu toda a circulação, provocando o primeiro foco mais intenso da pandemia.


Combatido na região, outro foco surgiu na área metropolitana da capital Assunção depois de, em junho, o governo permitir com protocolos uma flexibilização do comércio e da atividade industrial. Também passou a haver mais voos internacionais, embora não no mesmo ritmo pré-pandemia.

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Desde janeiro deste ano, porém, a curva de casos começou a aumentar. Desde 15 de fevereiro, a cifra diária de contágios é superior a mil. No começo da crise, esse número não chegava a cem. Na semana passada, foi identificada pela primeira vez no país a variante brasileira do vírus.


A insatisfação dos que saem às ruas para protestar contra o governo está relacionada à falta de insumos básicos nos hospitais e centros de saúde, como analgésicos. A oposição questiona o governo por ter solicitado empréstimo internacional de US$ 1,6 milhão para comprar insumos que, por ora, não chegaram.


Também não foi apresentado um plano nacional de vacinação –chegaram ao Paraguai apenas 4.000 doses do imunizante russo Sputnik V e 20 mil doses da chinesa Coronavac vendidas pelo governo chileno. Pouco para os 7 milhões de habitantes do país. A vacinação ainda não chegou nem a 0,1% da população.

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Ainda assim, comparada a outras cidades da região, Assunção mantém protocolos de segurança cuidadosos. Logo ao chegar, no aeroporto, o visitante encontra pias ao lado da fila de migração, com água, sabonete e álcool em gel.


Nos comércios, há termômetros, e o uso de máscaras é obrigatório nas ruas e em espaços fechados. Há um toque de recolher entre 0h e 5h, e, até junho, a medida começava às 20h. Para viajar a Assunção por via aérea é preciso um teste tipo PCR negativo realizado até 72h antes do embarque –a depender do objetivo da viagem, é necessário realizar quarentena.


Os protestos pela falta de vacinas e de medidas sanitárias para conter o vírus causaram a queda do ministro da Saúde Julio Mazzoleni na semana passada, quando os protestos começaram a escalar.


O novo titular da pasta, Julio Borba, assumiu o cargo oficialmente nesta segunda (8), no Palácio de López. Em seu primeiro pronunciamento, afirmou que a negociação com os laboratórios que produzem imunizantes contra a Covid-19 será acelerada com uma missão que visitará diferentes países.

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“Para evitar expectativas, anunciaremos sua chegada apenas quando o avião estiver pousando em Assunção”, afirmou. Acrescentou que as 20 mil doses que serão destinadas ao Paraguai pelo consórcio Covax não chegarão imediatamente. Em pronunciamento no sábado, Abdo Benítez declarou que “todo o esforço das novas autoridades de saúde estarão postos na compra de vacinas”.

As informações são da Folhapress

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