Os governadores dos departamentos opositores ao presidente da Bolívia, stuff Evo Morales, doctor decidiram hoje suspender “temporariamente” o diálogo com o Governo, generic acusado de descumprir as bases do processo de negociações com uma “caçada” contra cidadãos e líderes de suas regiões.
Em nome de seus colegas opositores, o governador de Tarija, Mario Cossío, anunciou a suspensão temporária do diálogo e exigiu a intervenção direta de Morales no salvamento dos contatos, apesar de não ter dado o diálogo por rompido.
“Está nas mãos do presidente continuarmos ou não” com o diálogo, afirmou Cossío na cidade de Cochabamba, no centro do país e palco das conversas que começaram em 18 de setembro entre o Governo e a oposição autonomista com o objetivo de encerrar a onda de conflitos vivida no país.
O estopim da decisão anunciada hoje pelos governadores regionais foi a detenção de um cidadão do departamento de Tarija, no sul do país, acusado pelo Governo de participar de um dos atentados contra gasodutos e refinarias cometidos durante os protestos opositores de setembro.
O governador de Tarija denunciou que, ao longo deste processo de diálogo, os opositores sofreram, por parte do Governo, “maus tratos, contínuas agressões, ameaças governamentais (…) e uma permanente guerra psicológica e campanhas midiáticas adversas”, que, segundo disse, suportaram com “estoicismo”.
No entanto, os governadores regionais consideram “inadmissível” que o Ministério de Governo (Interior) tenha ordenado, na última terça-feira, a detenção de “um cidadão comum” em Villamontes por ter participado dos protestos opositores registrados em setembro.
Segundo Cossío, ocorreram quatro detenções, as quais qualificou de “seqüestros”, apesar de três destas pessoas terem sido liberadas depois.
Este fato “constitui uma violação dos direitos e garantias constitucionais, altera as regras da democracia e do Estado de Direito e é uma ação governamental de aberta violação ao acordo inicial (…) que abriu caminho ao processo de diálogo”, destacou o governador regional.
Cossío denunciou as “reiteradas provocações” por parte do Governo.
“Cumprimos nossa parte, mas não o Governo nacional, que intensificou bloqueios, cercou Santa Cruz e não deteve a campanha midiática a favor da nova Constituição”, afirmou.
Segundo o líder opositor, no entorno de Morales “existem setores que estão querendo que o diálogo nacional fracasse, que desejam substituir as mesas de trabalho pela violência e que buscam evitar uma saída pacífica à crise nacional”.
Por isso, pediu a “palavra oficial” do presidente para que garanta o cumprimento do acordo inicial que abriu caminho ao diálogo e à restituição das garantias constitucionais dos cidadãos.
Os governadores regionais autonomistas de Santa Cruz, Beni, Chuquisaca e Tarija também pediram a ajuda dos organismos internacionais que atuam como testemunhas do processo de diálogo para salvar as negociações.
Por sua vez, o ministro de Governo, Alfredo Rada, defendeu em entrevista coletiva em La Paz a detenção do cidadão José Vaca em “uma operação policial em cumprimento de uma ordem fiscal”, na qual os agentes agiram “com todo o respaldo legal que corresponde”.
Rada assegurou que não foi um “seqüestro” e vinculou Vaca aos ataques sofridos por instalações de hidrocarbonetos em Tarija durante a onda de protestos de setembro.
Segundo o ministro, a investigação do promotor indica que o homem seria um dos supostos responsáveis nos atos de “terrorismo” com os quais a oposição autonomista tentou um “golpe cívico-prefeitoral” contra o Governo de Evo Morales.