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Mundo

Oposição líbia se diz disposta a receber ajuda militar do exterior

Arquivo Geral

29/03/2011 14h35

Os representantes do Conselho Nacional Transitório (CNT) da Líbia afirmaram nesta terça-feira que estão dispostos a receber ajuda militar do exterior para combater as forças leais ao líder líbio, Muammar Kadafi.

“Damos as boas-vindas a qualquer ajuda que possamos receber de qualquer país. Até agora não nos ofereceram nada, portanto não vou fazer comentários”, disse Mahmoud Shammam, porta-voz do CNT, em entrevista coletiva concedida em Londres.

“Os combatentes da revolução estão conseguindo muitas armas deixadas pelas forças de Kadafi quando são derrotadas”, explicou Shammam ao ser perguntado sobre o potencial militar dos rebeldes e a possibilidade de que a comunidade internacional, ou parte dela, forneça armamento aos milicianos.

No entanto, Shammam declarou que “a libertação da Líbia é responsabilidade do povo líbio” e que o objetivo do Conselho de Transição é dirigir o processo político para a construção de um novo país.

Na opinião do representante do CNT, o mais importante da conferência internacional sobre a Líbia realizada nesta terça-feira na capital britânica é conseguir “apoio político” internacional.

O Conselho deu garantias sobre o processo democrático de transição que será iniciado após um eventual colapso do regime de Kadafi e assegurou que não haverá vingança: “Não vamos pendurar as pessoas na rua, instauraremos a paz e a ordem”, disse Shammam.

“Já passamos por isso. Lutamos contra a ocupação italiana durante 40 anos e estamos preparados para lutar contra Kadafi por nossos próprios meios”, ressaltou o porta-voz, que afirmou que em “igualdade de forças” o regime seria derrubado “em questão de dias”.

Além disso, descartou de maneira taxativa a possibilidade de que o líder líbio ou sua família estejam em condições de deter o processo revolucionário ou que possam participar da nova era política no país.

Guma El-Gamaty, coordenador do CNT no Reino Unido, insistiu que os líbios querem guiar seu próprio futuro e não estão pedindo aos estrangeiros “que venham mudar as coisas”, e destacou que a paciência de seu povo se esgotou há anos.

“Já tivemos tirania suficiente. Perdemos uma possibilidade de ouro de desenvolver nosso país nos últimos 42 anos”, avaliou.

O CNT apresentou um documento à conferência intitulado “Uma visão para uma Líbia democrática”, no qual explica seus planos para o futuro político do país, que fundamentalmente consistem em estabelecer um governo de transição até a proclamação de uma nova Constituição que permita realizar eleições livres.

Os representantes do Conselho se reuniram ao longo do dia com os ministros das Relações Exteriores dos países participantes da conferência e consideraram os encontros “muito satisfatórios”.

El-Gamaty explicou que o Conselho conta com 33 membros que representam as cidades líbias e admitiu que dois terços dos integrantes ocuparam postos de responsabilidade no regime de Kadafi.

“Trata-se de gente que tem muito respeito no âmbito local em seus povoados e cidades e que achamos que são muito representativos. Isto é algo que nunca tivemos com Kadafi durante 42 anos, e é só uma transição, algo interino”, explicou.

“Este não será o governo definitivo da Líbia. Apenas guiará o país no período de transição, até que seja elaborada uma Constituição que determinará como serão organizadas as eleições e o Executivo”, indicou o representante do CNT.

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