A diretora-executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet, enfatizou, nesta quinta-feira (8), a prioridade de apoiar a mulher rural no mundo por considerá-la a que mais sofre com a desigualdade de gênero.
“Uma em cada quatro pessoas no mundo é uma mulher ou uma jovem rural”, afirmou Bachelet em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira em Rabat (Marrocos) por ocasião do Dia Internacional da Mulher celebrado neste ano sob o lema “Fortalecer a mulher rural: acabar com a fome e a pobreza”.
Bachelet, ex-presidente do Chile, ressaltou que as mulheres rurais sofrem desigualdades profissionais em relação à jornada de trabalho e à baixa ou inexistente remuneração, e pôs como exemplo a maior contribuição da mulher na “agricultura de subsistência”.
Sobre isso, a responsável da ONU Mulheres afirmou que o igual acesso das camponesas aos recursos permitiria a redução de entre 100 milhões a 150 milhões do número de pessoas que sofrem crise de fome no mundo.
Garantir um salário para a mulher, assim como o direito à propriedade e à possibilidade de acesso a créditos, permitirá, segundo Bachelet, “reduzir o número das crianças que sofrem desnutrição”.
Bachelet escolheu neste ano o Marrocos para celebrar o Dia Internacional da Mulher, apesar de ser um país onde a igualdade de gênero está muito longe de ser alcançada – exemplo disso é que apenas uma mulher integra o primeiro escalão do governo de 31 Ministérios.
Ela justificou a escolha do Marrocos pelo fato de ser um país da África, continente onde, apesar dos avanços realizados na igualdade de sexo, ainda restam numerosos desafios para serem superados.
Bachelet evitou qualquer menção à religião islâmica como parte do problema da discriminação da mulher – apesar de ter sido expressamente interrogada sobre o tema -, e preferiu lembrar que todos os países têm direito a escolher seu próprio caminho rumo à democracia. Para a ex-presidente chilena, a democracia “não é só liberdade de expressão ou de associação, também é inclusão”.
No marco das mudanças políticas que sacudiram o mundo árabe em 2011, Bachelet lamentou que a presença em massa de mulheres nas revoluções da chamada Primavera Árabe não tenha se traduzido em progressos em sua representatividade política. Bachelet lembrou que a quantidade de ministras no mundo é de 16,7%, enquanto no mundo árabe não supera 7%.
Segundo as estatísticas da ONU, dos 59 países que realizaram eleições em 2011, 17 deles introduziram um sistema de cota feminina. As mulheres obtiveram 27% das cadeiras parlamentares nesses países, comparado aos 16% nos países sem cotas.