A aplicação em escala mundial de seis medidas destinadas a limitar os efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde poderia evitar 1,56 milhão de mortes por ano, além de gerar benefícios econômicos, afirma a Organização Mundial da Saúde (OMS) em um estudo publicado nesta quarta-feira (4).
O estudo, divulgado poucos dias antes da COP31, destaca o “triplo dividendo” decorrente das medidas: uma população mais saudável, a redução das emissões e economias mais sólidas.
Entre as medidas estão as implementações de sistemas de alerta de saúde para o calor e de abastecimento de água potável e saneamento resilientes ao clima.
A OMS também recomenda melhorar a higiene das mãos, o uso de fontes de energia doméstica mais limpas e uma tarifação eficaz dos combustíveis fósseis.
Além de salvar vidas, as medidas poderiam evitar, a cada ano, 16,67 bilhões de toneladas de emissões de CO₂ equivalente.
Também poderiam gerar um benefício potencial de cerca de 4 trilhões de dólares anuais em bem-estar econômico (impacto financeiro das vidas salvas, desastres evitados, economia em atenção médica…) e até 5,4 trilhões de dólares em benefícios fiscais.
Segundo as projeções, que envolvem 187 países para o período de 2024 a 2075, os sistemas de alerta de saúde para o calor estão entre as medidas mais rentáveis, com uma arrecadação estimada de 835 dólares para cada dólar investido.
As mais rentáveis, no entanto, seriam as políticas de preços dos combustíveis fósseis, com potencial para prevenir 1,2 milhão de mortes e evitar 98% das emissões de CO₂ equivalente por ano, além de importantes benefícios orçamentários para os Estados.
“O mundo deve identificar, priorizar e implementar soluções que permitam prevenir a perda de vidas e proteger as comunidades dos danos relacionados ao clima”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, citado no relatório.
Tedros participará, na próxima semana, da COP31 em Antália (Turquia) para “incentivar os países a incluir a saúde nas negociações”, informou Diarmid Campbell-Lendrum, diretora de temas relacionados às mudanças climáticas na OMS.
AFP