O oligarca russo Roman Abramovich nega as acusações de fraude fiscal contra ele, informaram seus advogados nesta terça-feira (13), depois que uma reportagem investigativa da BBC afirmou que foram falsificados documentos para omitir seu patrimônio e ajudar uma de suas empresas a sonegar impostos.
“Não foi apresentada nenhuma prova de que Abramovich tivesse conhecimento, autorizasse ou ordenasse a falsificação ou a alteração de datas de qualquer documento, e ele nega ter sonegado impostos ou escondido sua fortuna”, afirmou o escritório de advocacia Kobre & Kim, que representa Abramovich.
“Abramovich nega ter cometido irregularidades. Ele não participava da gestão diária das empresas envolvidas”, acrescentaram seus advogados em um comunicado enviado à AFP.
Na segunda-feira, a BBC informou que superiates, jatos particulares e mansões no valor de 672 milhões de dólares (cerca de R$ 3,3 bilhões, na cotação atual) desapareceram das contas das empresas de Abramovich auditadas pela firma de contabilidade Deloitte, no Chipre, em 2006.
Segundo o programa Panorama, da BBC, pessoas próximas a Abramovich ocultaram das autoridades cipriotas o patrimônio de outras duas empresas suas, avaliadas em quase 2 bilhões de dólares (R$ 10 bilhões) e mais de 10 bilhões de dólares (R$ 50 bilhões), respectivamente.
Nos três casos, os documentos receberam datas retroativas com a participação da MeritServus, empresa atualmente encerrada e que pertencera à Deloitte até 2005, segundo a BBC.
A Deloitte é uma das quatro maiores empresas de contabilidade do mundo, conhecidas como as “Big Four”.
A BBC baseou sua investigação em um vazamento de documentos que abrange o período de 1995 a 2022.
A subsidiária da Deloitte em Chipre declarou à AFP que “atua em conformidade com as leis”, mas se recusou a fazer mais comentários.
Em 2023, o jornal britânico The Guardian reportou que Abramovich tinha tentado proteger seu patrimônio transferindo bilhões de dólares para seus filhos pouco antes de ser alvo de sanções em represália contra a invasão russa da Ucrânia.
O Reino Unido impôs sanções ao oligarca devido a seus estreitos vínculos com o Kremlin e congelou seus ativos. O empresário foi obrigado a vender o clube de futebol Chelsea, do qual era proprietário desde 2003.
Em maio de 2022, o clube foi adquirido por um novo consórcio liderado pelo empresário americano Todd Boehly. A receita da venda, que somou cerca de 2,5 bilhões de libras esterlinas (aproximadamente R$ 16,5 bilhões, em valores atuais), ficou congelada em uma conta bancária britânica.
O governo britânico quer que os fundos sejam destinados a fins humanitários na Ucrânia, mas o oligarca insiste em que sejam usados para ajudar todas as vítimas do conflito, inclusive as da Rússia.
AFP