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Nem o governo venezuelano nem o Wikileaks esclarecem incerteza sobre Chávez

Arquivo Geral

29/02/2012 15h31

Nem as informações do governo da Venezuela, nem os comentários feitos por blogueiros nas redes sociais, nem os relatórios divulgados no site Wikileaks puderam esclarecer a incerteza sobre a doença do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

 

Analistas consultados pela Agência Efe coincidem que o manejo da informação por parte do governo e a proliferação de versões de todo tipo que pululam em jornais e blogs permitem fazer uma previsão sobre o estado de saúde do presidente desde que foi diagnosticado com um câncer em junho de 2011.

 

O vice-presidente venezuelano, Elías Jaua, informou nesta terça-feira que Chávez foi operado de uma “lesão pélvica” e que está em “boa condição”, na primeira e até o momento única informação oficial sobre a saúde do governante em cinco dias.

 

Paralelamente nas últimas horas o Wikileaks divulgou informações de uma empresa privada de segurança americana nas quais se assegura que médicos russos e cubanos dão de um a dois anos de vida a Chávez.

 

“Reconhecer que o que existe na Venezuela neste momento é uma total incerteza e que não podemos tomar como certas a maioria das informações que temos sobre a doença de Chávez e seu impacto futuro já é um avanço brutal”, declarou o presidente do instituto Datanalisis, Luis Vicente León.

 

O analista ressaltou que existe um “vazio total de informação séria” ou “verificável”, que foi resolvido pelas pessoas optando por aceitar a versão que mais lhes agrada.

 

“Essa necessidade te leva em alguns casos a tomar a informação que tenha no entorno ou a criar uma informação através de suas próprias hipóteses. É o que ocorreu e, além disso, é o previsível em uma situação onde a informação não é uma informação fluente, oficial, técnica”, disse.

 

León ressaltou que o governo é a fonte de informação mais importante, mas “nunca a manejou de maneira séria, a escondeu e mentiu”, falando apenas quando lhe conveio politicamente e quando foi “explicitamente necessário”.

 

Além disso, acrescentou, “a maioria dos porta-vozes oficiais que se supõem próximos ao presidente não têm a mais remota ideia do que está acontecendo”.

 

Sobre o restante da informação, proveniente de reportagens jornalísticas ou de outras fontes, assinalou que talvez suas informações sejam boas, mas são praticamente impossíveis “de verificar”.

 

“O problema é que não sabemos as fontes da informação e não sabemos se algumas dessas fontes podem estar interessadas em confundir”, detalhou.

 

Em todo caso, ponderou que ao Governo lhe poderia interessar deixar que continue essa incerteza sobre o real estado de saúde de Chávez.

 

O analista Carlos Romero, do Instituto de Estudos Políticos da estatal Universidade Central da Venezuela (UCV), ressaltou que a única informação concreta é que Chávez não superou o quadro que se apresentou em junho do ano passado.

 

No terreno da especulação, continuou Romero, resta saber se o novo tumor é canceroso ou não, se a operação vai prejudicar Chávez em sua condição de presidente e candidato à reeleição e se essa condição pode contribuir para que haja maior instabilidade no país.

 

Em sua opinião, a palavra de ordem não é incerteza, mas “paralisia”, tanto no governo como na campanha e na oposição, que optou por adotar um perfil discreto em todo este assunto.

 

Para Nicmer Evans, professor da escola de Sociologia da UCV, o governo “não soube até agora conduzir a informação”, e apresentou “deficiências” porque não soube chegar a tempo.

 

“Entre meias mentiras e meias verdades” de “pseudojornalistas” e meios de comunicação contrários ao governo e “o errático que foi o início de geração de informação por parte do executivo” foi gerada “uma situação de incerteza”, salientou.

 

“A sensação de incerteza não existe somente no governo”, afirmou Evans responsabilizando também a oposição e os meios de comunicação contrários à atual administração com informações que, em sua opinião, “beiram o ridículo”.

 

“Porque qualquer médico nos Estados Unidos fazer qualquer tipo de pronunciamento em relação à saúde do presidente Chávez pode preencher o vazio de uma informação oficial? Eu acho que isso também é irresponsabilidade dos meios de comunicação”, considerou.

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