O número de detentos mortos no incêndio na Colônia Agrícola Penal de Comayagua, no centro de Honduras, pode chegar a 356, apontou a apuração preliminar desta quarta-feira revelada pelo comissário dos Direitos Humanos, Ramón Custódio.
Custódio explicou que quando uma lista foi passada entre os reclusos, 356 não estavam presentes, mas destacou que será preciso esperar a apuração oficial dos corpos para confirmar o número.
Custódio ressaltou ainda que o número de presos divulgado pelas autoridades deixou clara a superlotação da casa prisional.
O porta-voz da Secretaria de Segurança, Héctor Iván Mejía, destacou a probabilidade de que alguns detentos tenham fugido em meio à confusão, o que está sendo analisado. “Vamos fazer a apuração geral e depois determinar quantas pessoas podem estar foragidas”, destacou Mejía.
Previamente, a chefe de Medicina Legal do Ministério Público Lucy Marrder, havia falado em 272 presos mortos no incêndio que começou por volta das 22h55 (2h55 de Brasília) e foi controlado por volta das 3h30 (7h30 de Brasília).
Em meio à apuração das vítimas, os familiares dos reclusos tentaram invadir a prisão, mas foram reprimidos pelas forças da ordem. Eles queriam recuperar os corpos antes que as autoridades os enviem para autópsia em Tegucigalpa.
Os agentes fizeram disparos e lançaram bombas de gás lacrimogêneo para conter o tumulto. Os manifestantes jogaram pedras contra os policiais. A multidão cortou as cercas e conseguiu entrar pelo portão da entrada principal da prisão, mas não conseguiu chegar até as celas onde estão os corpos.
A situação já foi controlada. O secretário de Segurança, Pompeyo Bonilla, acompanhado de outras autoridades e de representante de um organismo de direitos humanos, tentava explicar aos familiares como funciona o procedimento legal que se deve seguir. “Eu entendo a dor das famílias, mas é preciso cumprir com o que diz a lei”, enfatizou o secretário de Segurança.
Bonilla declarou que o ocorrido na prisão “é uma tragédia nacional” e anunciou que à tarde será divulgado um relatório preliminar.
Familiares afirmam que as autoridades penitenciárias demoraram a abrir as celas, o que, acrescentaram, poderia ter evitado que tantos presos morressem queimados.
Alguns detentos que conseguiram escapar do fogo abriram buracos no telhado e se jogaram lá do alto, conforme relatos dramáticos das famílias.
O incêndio na colônia Agrícola Penal poderia ter sido causado por um curto-circuito, informou Héctor Iván Mejía. A imprensa local especula para a possibilidade de suposto motim.