A ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, price Nilcéa Freire, considera que a sociedade brasileira está preparada para ter futuramente uma mulher na Presidência do país.
Em entrevista à Agência Efe em Madri, onde participa do IV Encontro de Mulheres Líderes Ibero-americanas, organizado pela Fundação Carolina, Nilcéa ressaltou que os brasileiros avaliam “com seriedade” uma possível liderança feminina.
“Ano passado foi feita uma pesquisa de opinião e cerca de 70% dos entrevistados responderam afirmativamente. Para eles, o importante é outra série de atributos como honestidade, competência e capacidade de governar, acima do gênero”, declarou.
A ministra afirmou que nos últimos anos estão acontecendo “avanços importantes” na sociedade brasileira em relação aos direitos das mulheres.
Entre eles, destacou os últimos passos dados quanto à liberdade sexual e reprodutiva das brasileiras.
“Pela primeira vez no país a Corte Suprema admitiu debater sobre o direito das mulheres a abortar no caso de o bebê sofrer de anencefalia (ausência de cérebro)”, disse.
O fato de o alto tribunal ter levado o assunto à audiência pública constitui, segundo Nilcéa, uma grande antecipação para um país onde “a influência religiosa que existe no seio da sociedade se estende à política”.
“No Brasil, a religião tenta influir no Estado e, para isto, criou seus próprios mecanismos e foram eleitos vários deputados e deputadas que se utilizam do fundamentalismo religioso, seja ele qual for”, declarou.
No seu Ministério, criado em 2003 com a chegada ao Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Nilcéa trabalha no desenvolvimento de políticas que ajudem a combater a discriminação feminina.
“Reconhecer que as mulheres não têm as mesmas oportunidades que os homens é o primeiro passo para incentivar seu acesso aos diferentes níveis da sociedade”, afirmou.
Além disso, ressaltou que “a igualdade de oportunidades no Brasil só chegará caso se estabeleçam ações afirmativas, como o estabelecimento de cotas de participação das mulheres nas eleições”.
A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres trabalha em três linhas fundamentais: conseguir “uma autonomia plena” para a mulher, ajudá-la a enfrentar a violência e apoiar sua participação no poder político do país.
“Para tudo isto temos programas que vão desde saúde, educação e emprego até questões como o direito à terra, à moradia e à segurança para elas e suas famílias”, disse.
Nilcéa reconhece que o aspecto educativo é “o mais importante e o mais difícil” sobre o qual trabalhar.
“É mais fácil mudar uma lei do que mudar a mentalidade das pessoas”, afirmou.
Neste âmbito, o Governo trabalha com os professores da rede pública de escolas de ensino fundamental, aos quais concede programas de especialização em gênero e diversidade.
“Tudo está destinado a conseguir transmitir desde pequeno a importância da igualdade, da não-discriminação e da solidariedade”, concluiu.