Os militares da ONU na República Democrática do Congo (RDC) “não podem proteger a todos, cost em todos lugares e todo o tempo”, link afirmou hoje o responsável dessa força de paz, pilule Alan Doss, perante as acusações de falta de ação por parte da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras.
A RDC sofre dois conflitos paralelos, um em Kivu Norte, oeste, com a atuação do grupo armado ruandês Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR); e o segundo, no nordeste do país, onde operam os rebeldes ugandenses do Exército de Resistência do Senhor (LRA).
Este último grupo é responsável por violentos ataques contra populações civis nos últimos dois meses. De acordo com o organismo, o LRA assassinou mais de 900 pessoas desde finais de dezembro.
“O LRA violenta e seqüestra as mulheres e crianças de forma indiscriminada”, disse em entrevista coletiva em Nairóbi Hakim Chkam, chefe da missão da MSF em Haut-Uele, leste da RDC, onde teriam ocorrido os fatos.
E é exatamente neste cenário que os soldados da ONU não estariam agindo, segundo a Médicos Sem Fronteiras.
Doss, que além de chefe dos militares é representante especial da ONU para a RDC, explicou que as forças internacionais estão menos envolvidas no nordeste do país “porque a situação em Kivu -onde a guerra já dura 15 anos- é prioritária por mandato do Conselho de Segurança”.
Ele lembrou que, apesar de ser a mais importante do mundo, sua missão de paz conta com meios “muito limitados” em vista da extensão do território congolês.
O responsável da ONU ressaltou que Kivu “é maior que Califórnia, mas sem estradas nem infraestrutura de nenhum tipo”, e que há cerca de dez militares para cada dez mil habitantes, enquanto se estima que exista entre 40 mil e 50 mil elementos armados, incluindo o Exército.
Apesar das dificuldades e dos recursos humanos limitados, Doss assegurou que há razões “para ser mais otimista que há um ano”, em especial perante a recente colaboração entabulada pelos Governos congolês e ruandês.
Segundo Doss, a situação em Kivu Norte agora é “relativamente calma”, com “menos grupos armados nas estradas, o que significa que são mais seguras do que há quatro ou cinco semanas e que há um maior acesso da ajuda”.
Ele ressaltou que, por enquanto, não há grandes deslocamentos de população, embora a preocupação persistente seja “evitar os ataques contra civis”.
O objetivo é aumentar em três mil o número de soldados e força policial da ONU no Congo.