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Mais de 100 milhões de europeus sofrem impacto de onda de calor mortal

Países registram recordes acima de 40°C, aumento de mortalidade e alertas de emergência; França, Espanha e Reino Unido estão entre os mais afetados

Redação Jornal de Brasília

25/06/2026 13h53

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Foto: Lionel Bonaventure/AFP

Mais de 100 milhões de pessoas na Europa vão experimentar, nesta quinta-feira (25), temperaturas acima de 35º C, em meio a uma onda de calor longa e mortal que, segundo um instituto científico espanhol, causou mais de 200 mortes no país.

A onda de calor bateu recordes de temperaturas em vários países para um mês de junho e provocou as duas noites mais quentes já registradas na França, cuja capital, Paris, abriu os parques durante toda a noite para oferecer um espaço verde aos seus moradores.

“A diferença de temperatura entre a rua e aqui, debaixo das árvores, é alucinante!”, surpreende-se Agathe Chebassier, uma jovem pintora que buscou refúgio na última noite em um parque parisiense.

O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, informou, nesta quinta-feira, um “aumento da mortalidade” na cidade, onde os termômetros superaram, na quarta-feira, os 40º C pela quarta vez em 150 anos.

O Ministério da Saúde reportou, por sua vez, 25 paradas cardíacas em 24 horas, diante das dez que ocorrem habitualmente.

Além disso, o país lamentou dezenas de mortos por afogamento de pessoas que se refrescavam em zonas não habilitadas para o banho ou sem vigilância, além de três crianças mortas dentro de veículos.

Na segunda-feira dois irmãos de 2 e 4 anos morreram no carro da família, e nesta quinta-feira outro menino, de 3 anos, morreu no carro dos pais ao fugir da vigilância deles e se trancar dentro do veículo.

– Recordes e mortes –

Uma análise da AFP com base nas previsões do serviço meteorológico alemão e nas projeções de população do Joint Research Center estimou que mais de 380 milhões de habitantes da Europa, exceto a Turquia, ficarão expostas a temperaturas superiores a 30º C nesta quinta-feira.

A onda de calor provocou recordes de temperatura para um mês de junho na Suíça (38º C) e no Reino Unido (36,4º C).

O pico desta onda de calor histórica deveria ser alcançado nesta quinta-feira na França e parece já ter passado na Espanha, embora com um custo aparentemente elevado.

O Instituto de Saúde Carlos III, de Madri, estimou que pelo menos 212 dos óbitos registrados entre o domingo e a quarta-feira podem ser atribuídos à onda de calor que castigou o país nesses dias.

A título comparativo, em 2025 morreram 98 pessoas nesses quatro dias.

Estas estimativas se baseiam no sistema “MoMo” (Monitoramento da Mortalidade), que compila diariamente o número de mortos na Espanha e calcula o desvio da mortalidade em relação à previsível, segundo as sérias históricas registradas.

– “Força maior” –

Esta poderosa onda de calor – que afeta muitos países europeus – foi provocada por uma imensa massa de ar quente procedente da África, posicionada sobre a Europa ocidental e comprimida por altas pressões na altitude.

Os cientistas alertam há anos sobre o impacto das mudanças climáticas em ondas de calor, secas e outros fenômenos meteorológicos extremos, cada vez mais intensos e frequentes.

Na Alemanha, são esperadas temperaturas que poderiam passar dos 40°C em alguns pontos, onde poderiam bater recordes absolutos. Por isso, foram cancelados vários eventos ao ar livre, como a meia maratona de Hamburgo (norte).

“É uma pena que (…) não seja realizada, mas o calor é uma razão de força maior”, avaliou Marc Trauth, um estudante de 24 anos, que disputaria a corrida juntamente com seu tio.

– Pausa para hidratação –

No Reino Unido, o alerta vermelho por “calor extremo”, emitido em raríssimas ocasiões, foi prolongado até a noite de sexta-feira para Londres e parte do sudeste da Inglaterra.

O serviço de ambulâncias londrino informou um “recorde histórico” de 642 intervenções na quarta-feira na capital britânica por emergências como infartos ou problemas respiratórios graves.

Também foi prestada assistência para um total de 3.600 pessoas, “afetadas por desmaios, dificuldades respiratórias ou problemas cardíacos”.

Para tentar mitigar os efeitos destes fenômenos cada vez mais frequentes, a Confederação Europeia de Sindicatos (CES) pediu à União Europeia, nesta quinta-feira, que adote pausas para hidratação obrigatórias aos trabalhadores expostos, como as feitas pelas seleções de futebol durante a Copa do Mundo.

Na França, em meio a um debate sobre a falta de sistemas de climatização nas salas de aula, os sindicatos de professores convocaram uma greve contra “condições de trabalho inaceitáveis”.

AFP

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