Os planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) trazem propostas distintas para a política externa brasileira no segundo turno. Enquanto Lula defende o fortalecimento das relações com o Sul Global, o Brics e a integração regional, Flávio propõe maior aproximação com Estados Unidos, Israel e Argentina, além de defender a entrada do Brasil na OCDE.
No documento de Lula, a política externa aparece vinculada à defesa da soberania nacional, ao respeito ao direito internacional e à ampliação das parcerias com “todas as regiões do mundo”. O texto afirma que o planeta vive “conflitos sem precedentes” e rejeita qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros ou a uma posição de dependência geopolítica.
O plano do petista também prevê uma política externa “universalista”, com novos acordos comerciais e abertura de mercados para bens e serviços brasileiros. Entre as prioridades, estão o aprofundamento da aproximação com o Brics, o Sul Global, o G20 e a África, além do fortalecimento do Mercosul e da integração sul-americana, tratada no documento como “o primeiro círculo de projeção estratégica do Brasil”.
Lula também relaciona política externa e defesa nacional. O plano promete fortalecer a indústria de defesa, citando investimentos executados desde 2023 em projetos estratégicos, a entrega de caças Gripen F-39, a aquisição de cargueiros KC-390, a construção de fragatas e a produção de viaturas blindadas. O texto ainda prevê uma política específica para minerais críticos e terras raras, com foco em cadeias produtivas, beneficiamento e agregação de valor.
Já o plano de Flávio Bolsonaro defende uma diplomacia guiada pelo “interesse do produtor e do trabalhador brasileiro”, com abertura para negociar com diferentes blocos e países, da China à União Europeia, dos Estados Unidos aos mercados asiáticos. O documento critica o que chama de priorização da ideologia na política externa e afirma que o Brasil deve reverter relações levadas ao limite do rompimento com parceiros como Argentina, EUA e Israel.
Na área de defesa, o plano de Flávio propõe incentivo a tecnologias militares com foco em inovação em drones e inteligência artificial. Em relação aos minerais críticos e às terras raras, o candidato afirma que pretende atrair capital estrangeiro e tecnologia já existente no mundo, transferindo esse conhecimento ao Brasil por meio de parcerias internacionais.
O texto de Flávio também destaca a adesão à OCDE como um objetivo de governo, argumentando que a entrada na organização exigiria convergência das normas brasileiras a padrões internacionais, melhora da governança das estatais, redução da corrupção e integração às melhores práticas globais.
As propostas refletem leituras diferentes sobre o papel do Brasil no mundo. Enquanto Lula enfatiza autonomia, integração regional e articulação com países do Sul Global, Flávio Bolsonaro aposta em alinhamentos mais próximos com governos e organismos do Ocidente, além de uma política externa voltada à atração de investimentos e à ampliação de mercados.