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Líder de grupo e quatro milicianos morrem em ataques israelenses em Gaza

Arquivo Geral

09/03/2012 19h08

O secretário-geral do grupo extremista Comitês Populares de Resistência (CPR), Zuhair al Qaisi, e outros quatro milicianos palestinos morreram nesta sexta-feira (9) em dois bombardeios aéreos israelenses na Faixa de Gaza, que ameaçam a estabilidade na região após vários meses de calmaria.

A onda de violência, a mais grave desde agosto do ano passado, começou quando o governo israelense lançou dois foguetes contra um veículo que circulava pelo bairro de Tal el Hawa, no sul de Gaza.

No primeiro ataque morreram três ocupantes do veículo, disse o porta-voz do serviço de urgências da Faixa, Adham Abu Selmiya.

Um funcionário do Ministério da Saúde em Gaza confirmou pouco depois que entre as vítimas do ataque estava Qaisi, chefe dos Comitês Populares, grupo armado formado durante a Segunda Intifada (em setembro de 2000) por integrantes de outras milícias e ligado ao governo do movimento islamita Hamas na Faixa.

A segunda vítima mortal foi identificada como Mahmoud Hanani, miliciano da cidade cisjordaniana de Nablus e exilado em Gaza após ser liberado por Israel em uma troca de prisioneiros.

As fontes consultadas não souberam dizer se Hanani fazia parte do grupo de presos palestinos libertados em outubro do ano passado na troca pelo soldado israelense Gilad Shalit.

A terceira vítima do primeiro ataque, que morreu enquanto era atendida no hospital, ainda não foi identificada.

O Exército israelense confirmou â Agência Efe que o alvo do bombardeio foi o secretário-geral dos Comitês e alegou que este preparava um atentado na fronteira entre Gaza e Israel, similar ao que em agosto passado custou a vida de oito israelenses na fronteira com o Egito.

Esse atentado foi atribuído por Israel aos Comitês Populares e a represália desencadeou uma espiral de violência em Gaza e nos arredores, que custou a vida de 30 palestinos e de mais um israelense.

A morte de Qaisi aconteceu horas depois que milicianos palestinos em Gaza dispararam dois foguetes contra o sul do território israelense sem causar vítimas, por isso alguns meios de comunicação locais atribuíram a princípio o bombardeio ao lançamento dos projéteis, argumento desmentido por porta-vozes militares.

Em comunicado, os Comitês Populares asseguraram que a resposta à morte de seu secretário-geral fará “tremer a terra”, e o chefe de seu braço armado, Abu Ataya, garantiu ter ordenado a todos seus homens que respondam ao ataque.

Desde então pelo menos outros sete foguetes foram disparados desde Gaza contra localidades israelenses ao redor da Faixa e à cidade de Ashkelon, segundo a imprensa local.

O Exército israelense impediu o disparo de outros dois foguetes em ataques aéreos contra dois grupos de milicianos. O serviço de urgências na Faixa informou que outros dois palestinos morreram nestes incidentes.

O movimento islamita Hamas condenou imediatamente os ataques israelenses e reivindicou o direito dos palestinos à “resistência”.

“Estes ataques não romperão nosso espírito de resistência”, disse Ismail Radwan, um dos dirigentes do movimento islamita e para quem Israel deseja “criar confusão entre os palestinos e atrapalhar a reconciliação interna”.

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) uniu-se às condenações e seu porta-voz, Nabil Abu Rudeina, advertiu que Israel “arcará com as consequências do ataque” contra Qaisi.

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