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John Bolton, ex-conselheiro e crítico de Trump, admite ter retido documentos secretos

Ex-conselheiro de Segurança Nacional se declarou culpado em tribunal federal, recebeu multa de US$ 2,25 milhões e poderá ser condenado a até cinco anos de prisão após acordo com a Promotoria

Redação Jornal de Brasília

26/06/2026 17h22

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Foto: Mandel Ngan/AFP

John Bolton, ex-assessor de segurança nacional de Donald Trump, antes de se tornar um crítico ferrenho do presidente americano, admitiu, nesta sexta-feira (26), ter retido documentos secretos.

O diplomata, de 77 anos, declarou-se culpado de reter estes documentos perante um tribunal federal de Maryland, como parte de um acordo no qual a Promotoria recomendará uma pena de prisão de não mais que cinco anos.

Perguntado pelo juiz Theodore Chuang sobre sua culpabilidade, Bolton respondeu: “Sim, vossa senhoria, e lamento.” O juiz lhe impôs uma multa de 2,25 milhões de dólares (R$ 11,6 milhões). A audiência para a sentença foi marcada para 28 de outubro.

Bolton, um dos críticos de Trump que se tornou alvo da Justiça desde que o republicano voltou para a Casa Branca, no começo de 2025, foi indiciado em outubro passado por 18 acusações de transmissão e retenção de informações de defesa nacional de alto sigilo.

A Justiça denunciou Bolton por ter “abusado de seu cargo de assessor de segurança nacional ao compartilhar mais de mil páginas de documentos” com duas pessoas do seu entorno sem permissão para acessar esse tipo de informação. Segundo a imprensa local, essas duas pessoas seriam sua mulher e sua filha.

“Cabe destacar que o fez usando sua conta de e-mail pessoal e aplicativos de mensagens não governamentais”, destacou a promotora Kelly Hayes, referindo-se às ações de Bolton entre abril de 2018 e setembro de 2019.

Supostamente, o material foi usado depois em um livro que Bolton escreveu, intitulado “The Room Where It Happened” (O Recinto onde Aconteceu, em tradução literal), no qual faz críticas abertas a Trump e a seu governo.

O diplomata veterano aparece com frequência na mídia dos Estados Unidos, mostrando-se implacável com Trump, a quem chamou de “inapto para ser presidente”. Além disso, em um fato que amplificou o impacto de suas ações, as autoridades assinalaram que um ator vinculado ao Irã ‘hackeou’ o e-mail pessoal de Bolton após ele deixar o cargo, em setembro de 2019.

Segundo o Departamento de Justiça, o ex-assessor informou as forças de ordem sobre o ‘hackeamento’, “mas não disse nem aos agentes nem a ninguém do governo dos Estados Unidos que a conta continha informação de defesa nacional”.

Trump tem feito críticas reiteradas ao ex-colaborador e retirou a equipe de segurança dele logo após voltar para a Casa Branca, em janeiro do ano passado.

AFP

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