As autoridades japonesas iniciaram neste sábado as primeiras obras para hospedar as centenas de milhares de desabrigados e desalojados pelo terremoto do último dia 11, o pior desastre no Japão desde a Segunda Guerra Mundial na opinião do primeiro-ministro Naoto Kan, muitos dos quais ainda sofrem com a falta de serviços básicos.
Entre os escombros em que se transformaram localidades inteiras no litoral nordeste da região japonesa de Tohoku, foram encontrados até o momento 7.508 corpos, enquanto a lista de desaparecidos cresceu para 11.680 nomes, segundo o último boletim da Polícia.
Os sobreviventes enfrentam agora o desafio de uma nova vida e muitos deverão abandonar sua terra, sem lar nem data de volta, depois que terremoto e posterior tsunami do último dia 11 destruiu 14.425 casas.
Os especialistas advertem sobre o impacto emocional que terão nos sobreviventes as cenas dantescas vividas após o terremoto, a perda de entes queridos, a escassez e o êxodo ao qual se viram obrigados.
Localidades inteiras como Futaba foram esvaziadas, com toda a população deslocada a abrigos provisórios devido ao temor provocado pela crise nuclear no complexo atômico de Fukushima, enquanto as Prefeituras indicam que continuarão funcionando para defender os interesses da comunidade.
Embora a ameaça da instável central de Fukushima estampe as capas de jornais de meio mundo, a tragédia humana do maior desastre natural do Japão desde o pós-guerra continua sendo uma prioridade para as equipes de resgate e voluntários de todo o país.
Pouco a pouco, os esforços das equipes de salvamento e o Exército para acabar com a escassez nas zonas mais remotas começam a surtir efeito com a iniciada de um plano para distribuir combustível e material de primeira necessidade.
A isso é preciso destacar as várias toneladas de ajuda que estão chegando ao Japão provenientes de países de todo o mundo, como no caso dos envios de ajuda realizados por Coreia do Sul, Rússia e Estados Unidos.
Após uma semana, muitos abrigos temporários conseguiram ter acesso à água, alimentos e remédios, o que melhorou as condições dos desabrigados mais vulneráveis, idosos e crianças.
No entanto, a emissora “NHK” divulgou neste sábado mensagens desesperadas enviadas por famílias de Iwaki e de outras localidades da província de Fukushima, que pediam ajuda urgente. “Estamos atingindo nosso limite. Não temos gasolina, alimentos, nem água corrente”, dizia um dos textos.
Outras áreas do nordeste como Iwate e Miyagi, as duas províncias com maior número de vítimas, continuam sofrendo temperaturas abaixo de zero, que minam a força das vítimas da crise humanitária causada pelo terremoto de magnitude 9 seguido de tsunami que atingiu o Japão oito dias atrás.
A tragédia também se vive em hospitais das zonas de difícil acesso, como alguns lugares da província de Iwate, onde os médicos não podem utilizar os aparelhos por falta de luz ou porque há graves problemas para pacientes que precisam de diálises, segundo as imagens mostradas pela “NHK”.
Ao temor suscitado pelas constantes réplicas se soma, entre os refugiados mais humildes e quase sem controlar a ansiedade de buscar um novo lar, mas a solidariedade fez com que muitas cidades como Kochi, no sul do país, tenham se oferecido para acolhê-los.
Na província de Iwate, já começaram a ser instaladas as primeiras casas pré-fabricadas de um total de 8,8 mil projetadas pelas autoridades para alojar os desabrigados.
Futoshi Toba, prefeito de Rikuzentakata, uma das localidades devastadas pelo tsunami, ofereceu neste sábado um discurso para marcar o início das obras de novas casas para refugiados e lembrou algo que muitos pensam: “Temos que seguir em frente”.