Apesar das divergências surgidas nos últimos dias, representantes israelenses e palestinos entraram “de verdade”, nesta terça-feira, nas negociações diretas de paz abertas há duas semanas.
Na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh, no sul da Península do Sinai, se reuniram hoje frente a frente o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, (ANP), Mahmoud Abbas.
Atuaram como mediadores a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que chegou ao Egito na noite de segunda-feira, e o enviado especial da Casa Branca para o Oriente Médio, George Mitchell.
“Hoje começou a discussão séria sobre os temas fundamentais”, afirmou Mitchell no fim da reunião realizada hoje, que foi precedida por outros contatos bilaterais, dos quais também participou o presidente egípcio, Hosni Mubarak.
Mitchell declarou, em entrevista coletiva, que havia sido previamente firmado um compromisso entre Abbas e Netanyahu “para que as negociações, cujo objetivo é resolver todos os temas essenciais, possam ser completadas dentro de um ano”.
O objetivo comum, acrescentou, continua sendo chegar a “dois Estados, com dois povos”, uma solução para que Israel mantenha sua segurança e para que os palestinos gozem de um Estado “viável e independente”.
Nem o enviado especial americano nem o ministro de Assuntos Exteriores egípcio, Ahmed Aboul Gheit, que também concedeu entrevista a jornalistas, deram detalhes sobre os temas analisados hoje na mesa de negociações.
Mitchell se desculpou por não poder ser mais preciso, já que há um acordo para evitar alimentar a guerra verbal frequente entre palestinos e israelenses, o que atrapalharia o andamento do diálogo.
Antes de chegar à reunião de hoje, uma continuação do diálogo aberto em Washington no último dia 2, houve divergências sobre a extensão ou não de uma moratória na construção de novas colônias israelenses.
No fim deste mês, vence a paralisação parcial de dez meses na instalação dos assentamentos nos territórios palestinos da Cisjordânia, e uma decisão a respeito do assunto era vista pelos palestinos como sinal do compromisso israelense no diálogo de paz.
Dirigentes palestinos haviam inclusive ameaçado abandonar as negociações se a medida não fosse prorrogada, o que Netanyahu já anunciou que não irá acontecer. O primeiro-minstro israelense também advertiu, no entanto, que não dará carta branca aos colonos e que vai desacelerar a expansão de assentamentos.
Questionado a respeito, Mitchell disse que esse é um “tema politicamente delicado para Israel”, sem esclarecer, contudo, se o assunto foi analisado hoje.
Ainda assim, o enviado da Casa Branca concordou com o presidente americano, Barack Obama, ao assinalar que “faria sentido estender a moratória, especialmente porque as partes estão se movimentando em uma direção construtiva”.
Antes de começar a reunião de hoje, o porta-voz do Governo israelense, Mark Regev, disse que, sobre este tema, as conversas de paz “requerem criatividade e flexibilidade” para encontrar posturas comuns.
“Não se pode levantar da mesa de negociações assim que surgir uma divergência”, acrescentou Regev, em declarações à emissora de televisão “Al Jazira”, do Catar.
O ministro de Assuntos Exteriores egípcio espera que o diálogo prossiga sem obstáculos, como os que podem ser impostos pelo tema dos assentamentos.
“A parte israelense não expressou nenhuma intenção (sobre o assunto), nem negativa nem positiva, mas escutou os pontos de vista. Acho que a parte americana se pronunciou da mesma forma”, acrescentou o ministro egípcio.
Aboul Gheit disse ainda que as conversas de hoje começaram com atraso porque levou mais tempo que o previsto a reunião a sós entre Hillary e Netanyahu, antes de o presidente da ANP se juntar aos dois.
A reunião entre Israel, ANP e EUA foi precedida por outros contatos bilaterais, dos quais também participou o presidente do país anfitrião, Hosni Mubarak.
Além de Netanyahu, Hillary também se reuniu a sós com Abbas e Mubarak.
Está previsto que o diálogo continue amanhã, em Jerusalém, onde, segundo Mitchell, se reunirão os líderes das respectivas partes. Depois, haverá contatos entre representantes israelenses e palestinos, antes que Netanyahu e Abbas voltem a se reunir, o que ainda não tem data marcada.