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Irã condena à morte mulher que teria postado ‘blasfêmia’ em redes sociais, dizem ONGs

Grupo de direitos humanos afirmou que um tribunal do país persa rejeitou argumentos da defesa de que a publicação foi um lapso e induzido por um estado de alucinação por substâncias consumidas

Redação Jornal de Brasília

14/10/2026 17h39

Irã condena à morte mulher que teria postado 'blasfêmia'

Foto: Reprodução/Iran Human Rights

FOLHAPRESS

Grupos de direitos humanos iranianos denunciam e pedem a reversão da sentença de morte dada à jovem Najmeh Amini, 23, detida na Penitenciária Central de Mashhad. Ela teria sido condenada à morte, segundo a imprensa local, por “insultar” líderes religiosos, e também é alvo de uma condenação a 12 anos de prisão por suposta propaganda contra o regime.

Amini teria sido presa após a polícia digital iraniana (Fata) identificar uma publicação da jovem nas redes sociais. O grupo de direitos humanos Iran Human Rights afirmou que um tribunal do país persa rejeitou argumentos da defesa de que a publicação foi um lapso e induzido por um estado de alucinação por substâncias consumidas.

Ainda segundo a imprensa local, o juiz questionou a defesa de Amini perguntando por que, em tal estado de alucinação a jovem “não insultou outros indíviduos ou os adversários do regime, como os EUA e Israel”. O conteúdo da suposta publicação não foi divulgado.

A agência de notícias Fars, próxima à Guarda Revolucionária, confirmou que uma pessoa chamada Najmeh Amini estava detida na prisão de Mashhad, mas negou que ela tivesse sido condenada à morte.

Ao jornal britânico The Guardian, Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da Iran Human Rights, sediada em Oslo, na Noruega, afirmou que o caso de Amini deve ser visto como um sério alerta.

“Condenar uma jovem à morte pelo que publicou nas redes sociais corre o risco de normalizar o uso da pena de morte contra manifestações pacíficas e ampliar ainda mais sua aplicação”, disse ele.

Amiry-Moghaddam afirmou ainda que as autoridades iranianas estavam testando a “tolerância” da comunidade internacional em relação à pena capital. “Se a comunidade internacional não reagir com firmeza agora, casos como este poderão se tornar muito mais comuns”, afirmou.

A jovem foi presa durante os protestos de janeiro deste ano, pouco antes dos ataques de Israel e dos Estados Unidos. Naquele momento, grande manifestações foram duramente reprimidas pelo regime, com milhares de mortes e detenções relatadas por organizações de direitos humanos sediadas fora do país.

Amini não é a única jovem presa após os protestos e condenada à pena de morte.
Taraneh Rahimi, 21, está no corredor da morte. Sua irmã gêmea, Romina, também foi detida e recebeu uma sentença de 36 anos de prisão.


Nos dias 8 e 9 de janeiro, as duas jovens, então com 20 anos, juntaram-se a milhares de pessoas em manifestações na cidade de Isfahan, no centro do país.

Segundo a Anistia Internacional, o regime iraniano executou 34 pessoas por conexões com os protestos desde janeiro. De acordo com a ONG Iran Human Rights, execuções por blasfêmia, como é o caso de Amini, são raras no país; as últimas registradas ocorreram em maior de 2023.

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