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Indígenas cobram participação plena nas negociações da COP17

Em Ulaanbaatar, manifestantes pediram mais espaço nas decisões oficiais da conferência e divulgaram uma declaração com reivindicações sobre territórios, mobilidade e financiamento direto.

Késia Alves

20/08/2026 12h33

indígenas munduruku cop30 (belém).

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Indígenas de diferentes partes do mundo protestaram nesta quinta-feira (20), em Ulaanbaatar, na Mongólia, para exigir participação nas negociações oficiais da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17). Eles afirmam que o espaço criado este ano para o debate interno, chamado Caucus Indígena e de Comunidades Tradicionais, é insuficiente por ser “meramente simbólico” e não garantir uma atuação “significativa, plena e efetiva”.

A líder da Associação das Mulheres Indígenas Peules do Chade (AFPAT), Oumarou Ibrahim Hindou, afirmou que a presença indígena nas negociações não pode ser apenas formal. Segundo ela, os povos tradicionais reivindicam terra, territórios, reconhecimento de seus conhecimentos e de seus direitos. “Não haverá COP sem as pessoas da terra. Nós estamos prontos para lutar”, disse.

Os manifestantes também pediram que a agenda oficial volte a incluir temas relacionados a gênero e participação social. Eles criticam a exclusão desses pontos e defendem maior respeito dos governos presentes na conferência às reivindicações dos povos tradicionais.

Outra liderança citada no protesto, a quechua Sonia Astuhuamán Pardavé, da nação Kuntur Wanka, na região de Junín, no Peru, afirmou que os indígenas são guardiões da natureza e não podem ser afastados de decisões que terão impacto direto sobre suas comunidades. Para ela, povos tradicionais têm experiências e conhecimentos capazes de contribuir para enfrentar a crise da terra e a crise climática.

No mesmo dia, em evento paralelo, foi divulgada a Declaração de Ulaanbaatar: Apelo à Ação Global de Povos Pastoris e Indígenas. O texto afirma que essas comunidades são fundamentais para a conservação da biodiversidade, a segurança alimentar e a gestão sustentável das áreas de pastagem, e rejeita a ideia de que o pastoreio seja uma atividade atrasada ou responsável pela desertificação.

A declaração defende o reconhecimento dos direitos territoriais e da mobilidade como estratégia de adaptação às mudanças climáticas. Também diz que essas populações estão entre as mais afetadas pelo aquecimento global, apesar da baixa contribuição para as emissões, e cobra acesso direto a recursos para adaptação, preparação para secas e fortalecimento da resiliência.

Entre as reivindicações, o documento pede que governos protejam corredores de circulação de pessoas e animais, inclusive entre fronteiras, e garantam acesso sazonal a pastagens, água e mercados. Também alerta para a perda e fragmentação de áreas de pastagem provocadas por mineração, energia, infraestrutura, agricultura, turismo e outros grandes empreendimentos.

A declaração ainda solicita mudanças no acesso a financiamento, com recursos diretos, flexíveis e sem intermediários quando as comunidades não os desejarem, além da criação de mecanismos específicos para iniciativas lideradas por povos pastoris. Ao final, os participantes pedem que o texto seja incorporado aos resultados oficiais da COP17 e anunciam a realização de um novo encontro global de povos pastoris e indígenas em 2030.

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